BRASIL CINEMUNDI, O EVENTO DE MERCADO DO CINEMA BRASILEIRO, REUNIU CINEASTAS E PRODUTORES NO CENTRO DE 234 ENCONTROS DE COPRODUÇÃO

Encontros com produtores internacionais e possibilidade de apresentar ou aprimorar projetos são as principais contribuições para quem participa do programa, que contou este ano com 23 convidados internacionais e 20 projetos selecionados. Premiação ocorre neste domingo

O sábado marcou o último dia de encontros entre realizadores e produtores internacionais do 9o Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting, o principal evento de mercado de cinema brasileiro, que integra a programação da 12ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte. Durante quatro dias, 20 projetos de sete estados participaram de rodadas de conversa com os 23 convidados da indústria audiovisual de 12 países: Cuba, Espanha, Chile, Argentina, Noruega, Suíça, EUA, França, Uruguai, Itália, Alemanha e Brasil. As atividades aconteceram na Central do Cinema instalada no Palácio das Artes.

 A experiência de debater aberta e francamente as propostas é sempre marcante para os realizadores que vêm a Belo Horizonte participar deste momento de trocas, sugestões, orientações e rearranjos das mais variadas iniciativas. Foi o caso da mineira Laura Godoy, produtora já experiente em projetos no estado (como, por exemplo, Arábia, de Affonso Uchôa e João Dumans), que participou do Brasil CineMundi pela primeira vez. A proposta, de sua autoria, é o documentário It’s All True em Ouro Preto. A ideia de Laura é um filme de pesquisa investigativa sobre a mítica passagem do cineasta norte-americano Orson Welles por Ouro Preto nos anos 1940.

 “Sinto que foi muito importante trazer o projeto para cá, pois até agora eu não havia debatido sobre ele com mais ninguém além das pessoas envolvidas. Aqui, pude ouvir comentários de todo tipo, desde dicas ou sugestões até problematizações bem sérias, que me fizeram rever vários aspectos do filme que eu quero fazer”. Para ela, o que mais marcou foi escutar pontos de vistas de profissionais de diferentes partes do mundo, que agregaram às suas ideias do que pode vir a ser o documentário.

 Sensação similar teve outra mineira, Paula Santos, que apresentou Fragilidades, único projeto de ficção da categoria Foco Minas (que reúne outras quatro propostas). Ela veio ao Brasil CineMundi ainda na fase de escrita de roteiro e aproveitou para tentar afinar algumas de suas escolhas e vontades. “Ainda estamos numa fase bastante embrionária. Fiz um argumento a partir da pesquisa para um curta-metragem que estou finalizando e enviamos em cima da hora. E acabou sendo ótimo, pois pude ter uma grande troca que vai nos ajudar a reelaborar alguns pontos do projeto”, conta Paula.

 Diferentemente de Paula Santos, o pernambucano Marcelo Lordello chegou ao Brasil CineMundi em 2018 com seu Edificante já garantido em editais de produção, mas ainda incipiente na futura circulação. “A experiência de estar aqui foi boa principalmente para apresentarmos o filme ao mercado e fazer com que ele se torne conhecido a distribuidores e produtores de vários países, o que pode ajudar em possíveis parcerias”, diz Lordello, que já esteve no evento em 2013 com outro projeto, Paterno, em processo de finalização.

 Sua vontade é garantir que Edificante garanta uma boa circulação, especialmente fora do Brasil. “Buscamos maneiras de saber trabalhar o filme. Tive muitas dificuldades com Eles Voltam [primeira ficção dirigida por Lordello, lançada em 2014) e quero tentar encontrar caminhos que nos auxiliem na inserção do filme em outros espaços”.

Além dos encontros com produtores, os participantes do Brasil CineMundi acompanharam, ao longo da semana, mesas de discussão sobre várias atividades do mercado audiovisual. No sábado, foi a vez da mesa “Estratégias de distribuição e promoção de filmes”, que reuniu profissionais da área para compartilharem suas atividades e propostas. Uma das integrantes da mesa era Talita Arruda, curadora da Vitrine Filmes, uma das principais distribuidoras de títulos brasileiros. Ela lembrou que a fundação da empresa pela produtora Silvia Cruz, em 2010, se deveu à percepção de que muitos trabalhos do país ganhavam projeção internacional e não conseguiam bons espaços de exibição em seu próprio território.

 A Vitrine, então, vem tentando viabilizar a distribuição de filmes brasileiros autorais, que teriam pouca chance no circuito comercial se não fosse essa iniciativa. Há alguns meses a empresa realiza a Sessão Vitrine, em parceria com a Petrobras, tendo promovido 17 lançamentos que foram assistidos por mais de 100 mil espectadores em 21 cidades e 37 salas país afora. “O Brasil tem um circuito reduzido, que não comporta a quantidade de títulos lançados anualmente. Em 2017, por exemplo, foram 158 filmes brasileiros exibidos. Muitos deles mal foram vistos por problemas de horário, preço de ingresso e má divulgação”, disse Talita.

 A mesa contou também com a presença de Jacques Pelissier, distribuidor francês da Juste Doc que dividiu com os presentes as experiências de lançar cinema autoral na França – um mercado bastante distinto do Brasil, mas que guarda muitas similaridades na dificuldade de fazer aparecer o filme de menor apelo comercial, que precisa de outros tipos de promoção para ampliar seu público.

O 9o Brasil CineMundi tem seu encerramento neste domingo, dia 2 de setembro, no MIS Cine Santa Tereza, a partir das 19h30. Na ocasião, serão conhecidos os projetos vencedores, que ganharão prêmios de parceiros da Mostra (confira mais sobre a premiação aqui). Em seguida, será exibido, em pré-estreia nacional, o longa-metragem Benzinho, de Gustavo Pizzi, que, em sua gênese, foi apresentado a produtores no CineMundi em 2013 e tem tido destacada carreira internacional.

 TODA PROGRAMAÇÃO É OFERECIDA GRATUITAMENTE AO PÚBLICO.