{"id":3442,"date":"2025-09-29T09:49:42","date_gmt":"2025-09-29T12:49:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cinebh.com.br\/?post_type=news&#038;p=3442"},"modified":"2025-09-29T09:49:43","modified_gmt":"2025-09-29T12:49:43","slug":"destaques-da-19a-cinebh","status":"publish","type":"news","link":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/n\/destaques-da-19a-cinebh\/","title":{"rendered":"MERCADOS EM TRANSFORMA\u00c7\u00c3O, REDES COLABORATIVAS E SOBERANIA NO AUDIOVISUAL FORAM DESTAQUES DA 19\u00aa CINEBH"},"content":{"rendered":"\n<p>Terminada sua 19\u00aa edi\u00e7\u00e3o, a CineBH foi marcada pela tens\u00e3o fecunda entre ambi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e urg\u00eancia pol\u00edtica ao colocar no centro de seus debates a pergunta \u201cN\u00f3s somos o nosso futuro?\u201d, a partir do conceito de \u201chorizontes latinos\u201d que permeou a tem\u00e1tica central. Ao longo dos encontros, rodas de conversa e debates, o evento tratou de quais modos de produzir imagens s\u00e3o compat\u00edveis com soberania criativa, quais mecanismos de circula\u00e7\u00e3o s\u00e3o condizentes com coletividade regional e at\u00e9 que ponto o Brasil pode articular sua presen\u00e7a no circuito internacional sem perder tra\u00e7os de singularidade que fazem seu cinema t\u00e3o \u00fanico quanto o que qualquer outra pa\u00eds do continente.<\/p>\n\n\n\n<p>O deslocamento de paradigma foi vis\u00edvel j\u00e1 na composi\u00e7\u00e3o da Mostra Territ\u00f3rio, que imp\u00f4s limita\u00e7\u00e3o clara, assumida e defendida pela curadoria: s\u00f3 receber cineastas com at\u00e9 dois longas anteriores, numa estrat\u00e9gia de renova\u00e7\u00e3o, e cuja centralidade de produ\u00e7\u00e3o fosse necessariamente algum pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina. Ao fazer isso, a equipe tentou favorecer uma \u201cautonomia rebelde\u201d, express\u00e3o usada pelo coordenador curatorial Cl\u00e9ber Eduardo, isto \u00e9, um cinema latino-americano que disputa o agora sem esperar concess\u00f5es externas. Muitos dos filmes selecionados vinham de pa\u00edses ainda sub-representados e chegaram ao Brasil pela primeira vez via CineBH.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse horizonte te\u00f3rico se materializou fortemente nos debates ao longo da mostra, com a presen\u00e7a dos realizadores da Mostra Territ\u00f3rio. Para Cl\u00e9ber Eduardo, fazer cinema na Am\u00e9rica Latina \u00e9 um campo onde \u201cpode-se ser tudo\u201d, mas essa diversidade deve estar firmemente \u201cescorada numa liberdade de determinar o que se quer ser, e n\u00e3o numa concess\u00e3o ao que se quer de n\u00f3s\u201d. O resultado foi uma programa\u00e7\u00e3o que valoriza o cinema que se constr\u00f3i na l\u00f3gica do ac\u00famulo, dos desequil\u00edbrios ou das quebras de ritmo, vendo esses elementos como escolhas do filme, e n\u00e3o como falhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras mesas aprofundaram a fronteira entre est\u00e9tica e pol\u00edtica: \u201cFilmar com o territ\u00f3rio\u201d trouxe cineastas do Peru, M\u00e9xico e Brasil para refletir sobre pr\u00e1ticas de enraizamento, sustentabilidade e processos de media\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria; \u201cConectar para criar: redes que transformam o audiovisual latino-americano\u201d envolveu representantes de Col\u00f4mbia, Cuba, Espanha, M\u00e9xico e Brasil em uma interlocu\u00e7\u00e3o direta sobre como pensar coprodu\u00e7\u00f5es mais horizontais; e \u201cComo internacionalizar seu filme\u201d questionou criticamente o modelo \u201cvia Europa\u201d e buscou alternativas de circula\u00e7\u00e3o direta entre pa\u00edses latino-americanos. O painel \u201cCircuitos latinos: redes, resist\u00eancias e circula\u00e7\u00e3o do cinema de autor\u201d abordou as barreiras persistentes que o cinema latino sofre dentro do pr\u00f3prio continente, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a distribui\u00e7\u00e3o e circuitos menores.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos filmes da mostra trabalhavam no limiar entre mem\u00f3ria e ruptura, com arqueologias culturais, silenciamentos hist\u00f3ricos e reconfigura\u00e7\u00f5es espaciais. Nisso, a CineBH prop\u00f4s que o projeto de reativa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica se vinculasse \u00e0 viabilidade concreta, ou seja, \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia dos filmes. V\u00e1rias proposi\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas nas conversas da CineBH esbarram na necessidade de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica fora do \u00e2mbito do festival. Leis, fundos, inst\u00e2ncias regulat\u00f3rias e modelos de distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o pensados em conjunto para ent\u00e3o se materializarem na pr\u00e1tica. A depend\u00eancia de programas p\u00fablicos e a fragilidade estrutural do circuito de salas independentes, algo muito tocado por v\u00e1rios dos participantes, ainda s\u00e3o desafios que demandam esfor\u00e7os entre as v\u00e1rias esferas do audiovisual. Paulo Alcoforado, diretor-presidente da Ancine, estimula que seja cada vez mais entendido como estrat\u00e9gico e que cada departamento da cultura do Estado precisa fazer a sua parte.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de tecnologia e inova\u00e7\u00e3o fez parte das conversas, com novas preocupa\u00e7\u00f5es de impactos ao setor. A intelig\u00eancia artificial foi um desses pontos na mesa \u201cAudiovisual em transforma\u00e7\u00e3o: inova\u00e7\u00f5es, desafios e caminhos para o futuro\u201d. Para Lucas Taidson, professor e consultor em Comunica\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia Artificial, o uso da m\u00e1quina \u00e9 inevit\u00e1vel e incontorn\u00e1vel, portanto a urg\u00eancia est\u00e1 em saber como utilizar as plataformas de informa\u00e7\u00e3o generativa de forma a usar o conhecimento humano de maneira otimizada e sem se render aos fetiches e sedu\u00e7\u00f5es facilitadores que as bigtechs tentam impor. \u201cA maneira como a gente vai usar essa tecnologia depende dos nossos par\u00e2metros e isso a m\u00e1quina n\u00e3o consegue controlar\u201d, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Tha\u00eds Olivier, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA), \u00e9 fundamental entender o tipo de impacto do uso de intelig\u00eancia artificial como parte de novos processos criativos e estar atentos a quest\u00f5es de direitos autorais e de imagina\u00e7\u00e3o, de forma a n\u00e3o afetar o setor no uso indiscriminado e ilegal de conte\u00fados humanos que ocasionalmente s\u00e3o reapropriados pelos data centers.<\/p>\n\n\n\n<p>O painel de abertura do Brasil CineMundi, que discutiu o audiovisual como projeto de pa\u00eds, estabeleceu o tom do semin\u00e1rio ao situar o setor em um momento decisivo e de inflex\u00e3o para o cinema brasileiro. O papel estrat\u00e9gico do audiovisual foi v\u00e1rias vezes apontado para o desenvolvimento soberano nacional, no que a necessidade urgente de um marco regulat\u00f3rio para as plataformas digitais (VoD) e o fortalecimento de \u00f3rg\u00e3os e pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o cada vez mais incontorn\u00e1veis. Neste contexto de disputa por aten\u00e7\u00e3o e valor econ\u00f4mico, a defesa da democracia foi tratada como valor absoluto e condi\u00e7\u00e3o fundamental para o desenvolvimento, sendo necess\u00e1rio que, para que essa democracia se efetive e o setor possa avan\u00e7ar, ele esteja permanentemente em estado de alerta contra retrocessos.<\/p>\n\n\n\n<p>O marco regulat\u00f3rio do VoD e a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade regional, racial e de g\u00eanero como eixo estruturante de uma pol\u00edtica forte do setor foram vistas como lutas a serem travadas com ainda mais energia. Diante dos atuais acontecimentos geopol\u00edticos globais, a regula\u00e7\u00e3o foi ligada diretamente \u00e0 defesa da soberania nacional. Durval \u00c2ngelo, conselheiro presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE\/MG), defendeu a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo de controle para o ambiente digital de forma a regular \u201co veneno que circula, e n\u00e3o o pensamento\u201d. Disse ser necess\u00e1rio uma esp\u00e9cie de \u201cAnvisa das bigtechs\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O diretor da Ancine, Paulo Alcoforado, explicou que o desafio regulat\u00f3rio \u00e9 complexo, pois plataformas de tecnologia atuam globalmente com custos amortizados, impedindo a competi\u00e7\u00e3o de empresas nacionais. Para a deputada estadual Lohanna, a luta a ser travada \u00e9 no Congresso Nacional, abra\u00e7ando a quest\u00e3o da identidade nacional como ponto de partida, \u201cDevemos ser contr\u00e1rios \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o cultural. N\u00e3o tem escrit\u00f3rio americano que vai dizer norma aqui pro Brasil\u201d, afirmou ela.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil CineMundi foi palco tamb\u00e9m da primeira mesa a discutir circula\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o entre Brasil e pa\u00edses africanos. A conversa prop\u00f4s um repensar de rotas, interesses e assimetrias que moldam os circuitos de distribui\u00e7\u00e3o no Sul Global. A estrutura institucional de coopera\u00e7\u00e3o, destacada pelo Programa CPLP Audiovisual 2025, foi tratada pelo coordenador executivo M\u00e1rio Borgneth, que apresentou a iniciativa como um compromisso assumido pelos estados nacionais da Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Oficial Portuguesa (CPLP).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo \u00e9 \u201cimpulsionar a constru\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o audiovisual de l\u00edngua portuguesa\u201d, segundo ele. \u201cO programa opera em um cen\u00e1rio de gritantes assimetrias socioecon\u00f4micas e busca agregar uma camada de explora\u00e7\u00e3o de oportunidades de neg\u00f3cio e a\u00e7\u00f5es estruturantes da ind\u00fastria\u201d, completou. O CPLP Audiovisual inclui um edital internacional de produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de conte\u00fados e a cria\u00e7\u00e3o de faixas de programa\u00e7\u00e3o compartilhada nas televis\u00f5es p\u00fablicas dos nove pa\u00edses-membros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o produtor angolano Jorge Cohen, a forte influ\u00eancia da cultura brasileira em seu pa\u00eds, incluindo o consumo de telenovelas, nunca foi suficiente para fazer chegarem os filmes brasileiros nas salas de cinema em Angola. \u201cO cinema s\u00f3 existe quando \u00e9 partilhado\u201d, disse Cohen. Emerson Dindo, do DiALAB, que desenvolve carreiras e projetos de pessoas negras no Brasil e no exterior, criticou o fato de que, frequentemente, o olhar brasileiro sobre a \u00c1frica se d\u00e1 em \u201cdois tempos diferentes que nunca necessariamente \u00e9 o contempor\u00e2neo: ou \u00e9 o do passado ou \u00e9 no futuro\u201d. Dindo defendeu que, para evitar uma nova coloniza\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que a transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica acompanhe o simb\u00f3lico para estabelecer o di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estrat\u00e9gia crucial para viabilizar projetos e ampliar o alcance de obras audiovisuais em um cen\u00e1rio de financiamento escasso e competi\u00e7\u00e3o global, a coprodu\u00e7\u00e3o internacional voltou a ser assunto no Brasil CineMundi. Nas mesas realizadas, entendeu-se que a coprodu\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da busca por recursos, sendo uma movimenta\u00e7\u00e3o que pode realmente melhorar o meio cinematogr\u00e1fico mundial, desde que bem ajustado e com interesse realista.<\/p>\n\n\n\n<p>O panorama financeiro e institucional apresentado em algumas falas destacou tanto o apetite internacional por projetos brasileiros quanto a complexidade dos mecanismos de financiamento. Renata Pelizon, da Ancine, falou sobre o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) como grande financiador de coprodu\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, com 65% dos recursos e investimento robusto de R$ 215 milh\u00f5es no edital de 2023. Por sua vez, a Fran\u00e7a, segundo a produtora Juliette Lepoutre, explicou que o pa\u00eds europeu \u00e9 o segundo que mais concede apoio ao Brasil, mas os pr\u00e9-requisitos incluem o gasto de 60% dos recursos em territ\u00f3rio franc\u00eas, geralmente em p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o ou servi\u00e7os t\u00e9cnicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As conversas em torno deste tema, car\u00edssimo \u00e0 voca\u00e7\u00e3o do Brasil CineMundi como esse grande programa de est\u00edmulo \u00e0 coprodu\u00e7\u00e3o, apontaram que o tema vai al\u00e9m da burocracia e das cifras, e sim tamb\u00e9m de sinergia criativa e humana. Diversos produtores enfatizaram que a parceria para um filme deve ser uma escolha estrat\u00e9gica e n\u00e3o apenas financeira. Juliette Lepoutre fez uma compara\u00e7\u00e3o incisiva: \u201cAs coprodu\u00e7\u00f5es s\u00e3o como um casamento: se voc\u00ea tem o feeling, se voc\u00ea sente isso, se voc\u00ea consegue tomar uma cerveja com o produtor depois, \u00f3timo. Mas, se n\u00e3o, fuja, n\u00e3o fa\u00e7a\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios pr\u00e1ticos, como a complexidade jur\u00eddica e a circula\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m foram discutidos. Enquanto a Ancine reporta que acordos bilaterais facilitam a formaliza\u00e7\u00e3o de projetos (Fran\u00e7a, Portugal e Argentina lideram a lista de parceiros), a dificuldade de ratifica\u00e7\u00e3o de acordos multilaterais, como o Ibero-Americano, ainda \u00e9 um entrave. A produtora Joana Oliveira relatou sua experi\u00eancia na dire\u00e7\u00e3o do filme \u201cKevin\u201d, uma \u201ccoprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficial\u201d, como ela disse, com Uganda, Qu\u00eania e Alemanha, que entraram sem acordos formalizados para pelo menos viabilizar o filme. Foi consenso que, mesmo diante dos entraves, a colabora\u00e7\u00e3o criativa e a busca por parceiros alinhados s\u00e3o a verdadeira for\u00e7a da coprodu\u00e7\u00e3o e que permite ainda dar identidade aos filmes para al\u00e9m dos investimentos nele.<\/p>\n\n\n\n<p>As conex\u00f5es foram tamb\u00e9m assunto em alguns encontros do Brasil CineMundi, mostrando-se caminhos poss\u00edveis para outras possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o. Laborat\u00f3rios, festivais e iniciativas de capacita\u00e7\u00e3o se tornaram espa\u00e7os estrat\u00e9gicos para o desenvolvimento de projetos, interc\u00e2mbio de saberes e articula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de internacionaliza\u00e7\u00e3o. Gustavo Jardim, realizador e pesquisador, integrante da Rede Kino, atua na interse\u00e7\u00e3o entre cinema e educa\u00e7\u00e3o e promove a circula\u00e7\u00e3o, segundo disse, de um \u201ccinema insistente, resistente e resiliente\u201d. \u201cDo ponto de vista da educa\u00e7\u00e3o, as escolas p\u00fablicas representam um dos principais acervos para se refletir sobre a Am\u00e9rica Latina\u201d.<br><br>Para Debora Ivanov, presidente e fundadora do Coletivo +Mulheres, a luta por maior presen\u00e7a feminina na lideran\u00e7a de narrativas \u00e9 urgente pois, embora elas representem 51% da popula\u00e7\u00e3o, geralmente ficam em torno de 20% na dire\u00e7\u00e3o de longas-metragens. Ivanov identificou que a principal car\u00eancia entre as mulheres l\u00edderes \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de neg\u00f3cios, pois muitas t\u00eam criatividade, mas n\u00e3o est\u00e3o preparadas para o ambiente de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A busca por modelos mais horizontais de colabora\u00e7\u00e3o foi exaltada por Leonardo Ord\u00f3\u00f1ez Galaz, integrante do comit\u00ea de especialistas do MAFF \u2013 Festival de M\u00e1laga (Espanha\/Chile). \u201cH\u00e1 uma necessidade de ter que come\u00e7ar a recriar o criado a partir de um trabalho coletivo\u201d, disse ele. Para Ivette Liang (EICTV-Nuevas Miradas), \u00e9 importante apoiar a carreira de jovens cineastas e promover a uni\u00e3o de grupos que colaborem entre si e criem suas pr\u00f3prias redes. Carlos Moreno,&nbsp; diretor de promo\u00e7\u00e3o internacional da Proim\u00e1genes Col\u00f4mbia, falou sobre \u201ccuradoria compartilhada entre cinematecas latino-americanas como um modelo sustent\u00e1vel que permite a circula\u00e7\u00e3o de filmes e a partilha de custos de licen\u00e7as\u201d. Ou seja, em v\u00e1rias frentes dos profissionais de pa\u00edses diversos a quest\u00e3o dos trabalhos em redes de colabora\u00e7\u00e3o foi destacado como possibilidade de maior di\u00e1logo entre as na\u00e7\u00f5es latinas e a promo\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de culturas locais em conex\u00e3o com a de na\u00e7\u00f5es vizinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao insistir e refor\u00e7ar que o cinema latino-americano deve se ver como ator protagonista, e n\u00e3o apenas objeto de visibilidade ou exotismo externo, a CineBH em 2025 tensionou as bases onde se sustenta a hegemonia cultural e prop\u00f4s que a autonomia reside num misto de especula\u00e7\u00e3o imaginativa (o criativo dos cineastas) e tecnicalidades institucionais (apoio do Estado, fundos, investimentos etc). As redes latino-americanas s\u00e3o disputa e inven\u00e7\u00e3o rumo a um futuro que, se nos parece indefinido, surge tamb\u00e9m repleto de possibilidades e oportunidades.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-3442","news","type-news","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/news\/3442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}