{"id":1082,"date":"2025-09-03T20:42:14","date_gmt":"2025-09-03T23:42:14","guid":{"rendered":"https:\/\/cinebh.com.br\/?page_id=1082"},"modified":"2025-09-14T17:06:25","modified_gmt":"2025-09-14T20:06:25","slug":"vertentes","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filmes\/vertentes\/","title":{"rendered":"Vertentes"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>ENTRE HIST\u00d3RIAS, MEM\u00d3RIAS E INQUIETA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A Mostra Vertentes, agora abarcando um conjunto mais amplo de filmes brasileiros dentro da programa\u00e7\u00e3o da CineBH, emerge como um espa\u00e7o dedicado a explorar as narrativas mais ousadas e reflexivas do que se produz no pa\u00eds. Composta por obras efervescentes, que desafiam conven\u00e7\u00f5es formais e tem\u00e1ticas, a Mostra tem filmes que entrela\u00e7am o pessoal com o coletivo, que investigam camadas profundas da sociedade brasileira&nbsp;e se destacam pelo impacto est\u00e9tico que proporcionam. Os filmes deste ano na Vertentes partem de c\u00f3digos estabelecidos da ind\u00fastria (com\u00e9dia, suspense, horror, drama, di\u00e1rio, retratos) para se tornarem ferramentas cr\u00edticas sobre nossas heran\u00e7as hist\u00f3ricas, desigualdades persistentes e complexidades como na\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m como indiv\u00edduos no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na diversidade de g\u00eaneros e estilos que v\u00e3o do documental ao ficcional experimental, a Vertentes tem arquivos pessoais, narrativas em primeira pessoa e montagens associativas, tem exerc\u00edcios e ousadias e tem tomadas de posi\u00e7\u00e3o. Trafega por temas como viol\u00eancia social, identidades marginais, espiritualidades contempor\u00e2neas e os desafios da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica em contextos prec\u00e1rios. Nas vozes aut\u00eanticas e perspectivas renovadas, a&nbsp;Mostra refor\u00e7a o potencial de perturba\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro para ent\u00e3o implodir suas certezas e propor reinven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Estreia na dire\u00e7\u00e3o de longa-metragem de Karol Maia, com produ\u00e7\u00e3o de Paula Kimo, ex-curadora da Mostra Cidade em Movimento na CineBH, o document\u00e1rio <em>Aqui N\u00e3o Entra Luz<\/em>, exibido no Festival de Bras\u00edlia, tem como protagonistas a pr\u00f3pria diretora (em primeira pessoa) e trabalhadoras dom\u00e9sticas de diferentes cidades e estados. O ponto de partida \u00e9 uma analogia entre o quartinho da empregada e as senzalas no per\u00edodo de escravid\u00e3o. Partindo da experi\u00eancia profissional de sua pr\u00f3pria m\u00e3e, que oferece resist\u00eancia a participar do filme, a diretora tanto lida com arquivos dom\u00e9sticos quanto hist\u00f3ricos, mas tamb\u00e9m prop\u00f5e entrevistas com as personagens, procurando conciliar o que \u00e9 da ordem do particular e do social, nem sempre separ\u00e1veis e quase sempre imbricados. N\u00e3o se veem as pessoas como mero sintomas, sequer como apenas singularidades, mas como corpos falantes e silenciados se afirmando na imagem em suas condi\u00e7\u00f5es e em suas pot\u00eancias, sem uma coisa anular a outra.<\/p>\n\n\n\n<p><br>As investiga\u00e7\u00f5es sobre os mist\u00e9rios de personagens e rela\u00e7\u00f5es familiares retornam de outro jeito em <em>Meu Pai e Eu<\/em>, estreia em longa-metragem de Thiago Moulin, exibido na Mostra competitiva Arquivos em Quest\u00e3o, na CineOP 2025. O filme coloca o cinema capixaba na tend\u00eancia de document\u00e1rios nos quais arquivos dom\u00e9sticos s\u00e3o evid\u00eancias de d\u00favidas. A narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa do diretor \u00e9 antes especulativa, jamais esclarecedora e conclusiva. Seu pai se matou e, se h\u00e1 a tentativa de entender esse gesto final, temos apenas sua vida, mesmo assim envolta em v\u00e9us, mem\u00f3rias, v\u00eddeos, fotos e cartas. O sil\u00eancio masculino sobre quest\u00f5es de interioridade ganha destaque. O pai escrevia, mas silenciava. Era sens\u00edvel, como se percebe em sua escrita, mas n\u00e3o exteriorizava. Acima de tudo, h\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o pela mem\u00f3ria, por documentos e por imagens. No filme, continua-se no escuro, mas n\u00e3o mais na ignor\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7ado no Festival Internacional de Document\u00e1rios de Amsterd\u00e3 (IDFA), exibido no Olhar de Cinema, em Curitiba, e ganhador da Mostra Arquivos em Quest\u00e3o na CineOP, <em>Para\u00edso<\/em>, de Ana Rieper,\u00e9 um document\u00e1rio com imagens e \u00e1udios contempor\u00e2neos e de arquivos, com passado e presente entrela\u00e7ados, quando n\u00e3o fundidos, entre o que foi e o que permanece. Sua montagem \u00e9&nbsp;associativa e fragmentada, justapondo rela\u00e7\u00f5es violentas de poder de determinadas classes sobre outras, de ricos sobre pobres; de brancos sobre negros e ind\u00edgenas. A diretora transita de seus anteriores document\u00e1rios de materiais e personagens musicais, como <em>Vou Rifar meu Cora\u00e7\u00e3o<\/em> (m\u00fasica brega),<em> Clementina <\/em>(Clementina de Jesus) e <em>Nada Ser\u00e1 como Antes<\/em> (Clube da Esquina), para as consequ\u00eancias da forma\u00e7\u00e3o social escravocrata e violenta do Brasil. \u00c9 um filme de ac\u00famulos multifacetados de imagens que, em suas diferentes naturezas e tempos hist\u00f3ricos, evidenciam um pa\u00eds incapaz de digerir e superar suas origens vergonhosas.<\/p>\n\n\n\n<p>O longa-metragem sergipano <em>Um Minuto \u00c9 uma Eternidade para Quem Est\u00e1 Sofrendo<\/em>, dirigido por Wesley Pereira de Castro e F\u00e1bio Rog\u00e9rio, chega \u00e0 CineBH ap\u00f3s ter se sagrado vencedor da edi\u00e7\u00e3o 2025 da Mostra Aurora na Mostra de Cinema de Tiradentes. \u00c9 um filme complexo em seus arranjos de dispositivos, feito atrav\u00e9s da montagem do cotidiano de seu diretor-personagem, Wesley. A pobreza com que precisa lidar, ilustrada pela sua casa e a constante falta de saneamento, somada a um imp\u00e9rio de registros em primeira pessoa, costurados como modo de ilustrar a vida desse sujeito, revelam imperativas possibilidades do filme em primeira pessoa, renovado um lastro iniciado no come\u00e7o da d\u00e9cada com obras como <em>Pacific <\/em>(Marcelo Pedroso, 2009) e <em>Dom\u00e9stica <\/em>(Gabriel Mascaro, 2012). Se o dispositivo do trabalho \u00e9 similar aos filmes citados \u2013 pessoa em vulnerabilidade social a registrar seu cotidiano \u2013, os contornos s\u00e3o outros. Wesley traz em sua mise-en-sc\u00e8neautoconstru\u00edda um senso enorme de enquadramento e atmosfera, salientado nos momentos em que lida frontalmente com seu quadro depressivo, e ultraexposto atrav\u00e9s da intimidade que revela ao espectador, filmando seu p\u00eanis e desejos sexuais sem nunca esgotar ou encapsular em si as possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o desses campos sentimentais. \u00c9 um filme de rara comicidade, apesar de toda tristeza que envolve o personagem, justamente por ser uma janela aberta de seu olho para com o mundo. Um olho que, ainda triste, revela atrav\u00e9s de sua c\u00e2mera os mist\u00e9rios e prazeres de uma vida cin\u00e9fila, reclusa, crist\u00e3 e sexualmente potente.<\/p>\n\n\n\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o do livro hom\u00f4nimo de Ana Paula Maia e de elementos de outros romances dela, <em>Enterre seus Mortos <\/em>faz sua estreia mineira na CineBH ap\u00f3s passagem por prestigiosos festivais internacionais como Sitges (Espanha), BFI (Londres), T\u00f3quio (Jap\u00e3o) e MotelX (Portugal). No Brasil, passou pelo Festival do Rio e pela Mostra de S\u00e3o Paulo. Sexto longa-metragem de Marco Dutra, entre dire\u00e7\u00f5es solos e codire\u00e7\u00f5es com Juliana Rojas e Caetano Gotardo, <em>Enterre seus Mortos <\/em>retoma temas basilares de seu cinema, que v\u00e3o desde a distopia at\u00e9 o horror, a partir de uma trama sci-fi envolvendo religiosidades, animais mortos, sonhos estranhos e um Brasil futurista. Estrela-guia do projeto, Selton Mello interpreta o indecifr\u00e1vel Edgar Wilson, homem atormentado pela morte e pela necessidade do servi\u00e7o. O elenco ainda traz nomes relevantes como Carlos Francisco (homenageado desta edi\u00e7\u00e3o), Marjorie Estiano e Betty Faria. Se a filmografia anterior de Dutra observava a vida das cidades e as opera\u00e7\u00f5es do capitalismo como esp\u00e9cie de horror social, em <em>Enterre seus Mortos<\/em> encontra-se uma varia\u00e7\u00e3o disso. Agora a cidade acabou, ou est\u00e1 prestes a acabar, e o horror do mundo se manifesta atrav\u00e9s de paralelismos precisos que o Brasil de hoje encontrar\u00e1 no espa\u00e7o interiorano esvaziado de seu novo longa-metragem, sem abrir m\u00e3o da tens\u00e3o da afei\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra \u2013 fala-se de modo muito estranho e particular no filme \u2013 e da paix\u00e3o por um universo fant\u00e1stico para muito al\u00e9m das criaturas monstruosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarto longa-metragem de Miguel Antunes Ramos, cuja carreira de curtas j\u00e1 trazia trabalhos prestigiosos como <em>E<\/em> (2014), <em>A Era de Ouro <\/em>(2014) e <em>O Castelo <\/em>(2015), <em>A Voz de Deus <\/em>reflete um fen\u00f4meno cultural basilar do Brasil contempor\u00e2neo. O diretor explora a vida de dois pregadores mirins \u2013 Jo\u00e3o Vitor, de 12 anos, e Daniel, de 17 \u2013 filiados \u00e0s Igrejas Neopentecostais, cujo cotidiano est\u00e1 atrelado tanto \u00e0 servid\u00e3o crist\u00e3 quanto aos conflitos que a devo\u00e7\u00e3o a tal condi\u00e7\u00e3o acarreta na constru\u00e7\u00e3o de sujeitos t\u00e3o jovens. Capturando registros dom\u00e9sticos de ambos, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas presen\u00e7as nos cultos e prega\u00e7\u00f5es, <em>A Voz de Deus <\/em>comporta-se como um filme-diagn\u00f3stico: mais do que necessariamente emitir os julgamentos a tais realidades e escolhas, \u00e9 na observa\u00e7\u00e3o dos conflitos a emergir desse contexto que o cineasta se estrutura. Se n\u00e3o h\u00e1 necessariamente um ponto de inflex\u00e3o mais r\u00edgido, \u00e9 mais porque o longa-metragem encontra seus melhores momentos na presen\u00e7a ami\u00fade dos garotos, ao detectar as contradi\u00e7\u00f5es e conflitos de uma vida devota, por gosto ou n\u00e3o, ao fen\u00f4meno neopentecostal.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos nomes de mais versatilidade na produ\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, o cearense Guto Parente agora chega com uma com\u00e9dia metalingu\u00edstica, <em>Morte e Vida Madalena<\/em>. Premiado na 36\u00aa edi\u00e7\u00e3o do FIDMarseille, na Fran\u00e7a, com um incentivo para distribui\u00e7\u00e3o e exibido na competi\u00e7\u00e3o do Festival de Bras\u00edlia, o filme \u00e9 uma esp\u00e9cie de <em>A Noite Americana<\/em> (1973), de Fran\u00e7ois Truffaut, transfigurado para o dia a dia tumultuado de uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica independente e filmado com pouco dinheiro e muitas tens\u00f5es no Cear\u00e1. O diretor, tamb\u00e9m roteirista, faz gra\u00e7a com os perrengues de seu pr\u00f3prio entorno de trabalho, ao mesmo tempo em que transmite a melancolia de futuros incertos. A personagem-t\u00edtulo, vivida por No\u00e1 Bonoba, passa todo o enredo gr\u00e1vida, o que indica a ideia de vislumbrar as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es a partir das lutas constantes pela expressividade art\u00edstica. Mas Guto Parente n\u00e3o glamouriza esse processo. Trata-se de uma com\u00e9dia dram\u00e1tica acima de tudo sobre trabalho, sobre gente que busca o sustento, sobre a labuta num setor econ\u00f4mico que \u00e0s vezes parece se manter por v\u00e1rios milagres. S\u00f3 que n\u00e3o tem magia: o cinema existe porque as pessoas n\u00e3o desistem dele. Nem quem vive agora nem os que vir\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua investiga\u00e7\u00e3o por formas e g\u00eaneros, o goiano Daniel Nolasco se volta a uma certa iconografia do faroeste a partir de c\u00f3digos queere de liberdade sexual em seu novo trabalho, <em>Apenas Coisas Boas<\/em>. O longa-metragem saiu do Olhar de Cinema em 2025 premiado como Melhor Roteiro, Dire\u00e7\u00e3o de Arte (Marcus Takatsuka) e Som (Guile Martins, Jesse Marmo, Naja Sodr\u00e9, Daniel Nolasco). \u00c9 um filme poderoso que parte de um mesmo caminho de embates masculinos como visto em outra produ\u00e7\u00e3o recente de Goi\u00e1s, <em>Oeste Outra Vez<\/em> (2024), de \u00c9rico Rassi, para seguir por trilhas distintas. Em ambos existe desejo e brutalidade, mas Nolasco se embrenha no melodrama rom\u00e2ntico e faz um <em>Brokeback Mountain <\/em>(2005) oitentista em terras goianas que de repente vira um mist\u00e9rio similar \u00e0 obra do tailand\u00eas Apichatpong Weerasethakul, em especial <em>Mal dos Tr\u00f3picos<\/em> (2004). As poucas palavras em cena s\u00e3o articuladas com os planos elaborados da fotografia de Larry Machado, elaborada para transmitir a desola\u00e7\u00e3o de corpos desejantes e muitas vezes incompreendidos em contraste a amplos espa\u00e7os de natureza que os acolhem. O salto brutal do bucolismo para o caos da metr\u00f3pole \u00e9 s\u00f3 um dos pontos de virada de um filme que mora com a gente horas depois de assistido.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo ano em que o norte-americano Robert Eggers circulou com sua releitura de <em>Nosferatu<\/em>, cl\u00e1ssico expressionista alem\u00e3o de 1922, o brasileiro Cristiano Burlan chega com uma reapropria\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e est\u00e9tica da mesma matriz de F. W. Murnau. N\u00e3o se trata de remake, de sequ\u00eancia, de prequel nem nada disso que o mercado tanto gosta. O <em>Nosferatu<\/em> de Burlan, j\u00e1 exibido no Festival de Bras\u00edlia, \u00e9 um pastiche experimental a partir de um imagin\u00e1rio um tanto saturado de filmes de vampiros. O que ele prop\u00f5e \u00e9 olhar para o vazio da vida eterna, para a trag\u00e9dia do Conde Orlok e para a concep\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do mal como elementos constitutivos da arte e da cria\u00e7\u00e3o. Entre performances, declama\u00e7\u00f5es, intera\u00e7\u00f5es, luzes e sombras, este Nosferatu brasileiro \u2013 distante tamb\u00e9m do <em>Nosferato no Brasil<\/em> (1971), de Ivan Cardoso, que tinha o poeta Torquato Joel vestido de capa preta tomando \u00e1gua de coco nas praias do Rio de Janeiro \u2013 \u00e9 a materializa\u00e7\u00e3o de dores e afli\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds colonizado sempre em luta por autonomia e independ\u00eancia. Marca ainda a despedida do intelectual Jean-Claude Bernardet, que atuou em diversos trabalhos de Burlan e aqui o faz pela \u00faltima vez, pouco antes de seu falecimento, aos 88 anos, em julho de 2025. A imortalidade do vampiro \u00e9, de certa forma, o reflexo da sobreviv\u00eancia revolucion\u00e1ria de Bernardet por tantos anos entre n\u00f3s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim: que o cineasta curitibano Wellington Sari tem Brian De Palma como um dos centros de sua vida \u00e9 sabido por todos que o acompanham, seja como realizador, cr\u00edtico de cinema ou pesquisador. O diretor norte-americano foi, inclusive, objeto de seu mestrado, depois tornado o livro <em>A opacidade mascarada <\/em>(A Quadro Edi\u00e7\u00f5es, 2024). Com <em>Verde- Oliva <\/em>Sari presta o tributo que faltava a seu mestre: um filme <em>de-palmiano <\/em>transfigurado para a realidade e o cotidiano do Brasil p\u00f3s-pandemia e p\u00f3s-Bolsonaro, mas ainda lidando com esses fantasmas que insistem em n\u00e3o soltar a m\u00e3o de ningu\u00e9m. O teor explicitamente pol\u00edtico do filme se conjuga aos experimentos visuais e sonoros absorvidos de De Palma, desde a ambiguidade da imagem, a d\u00favida sobre o que se v\u00ea e se ouve, as teorias de conspira\u00e7\u00f5es, as tramas convolutas e um dom\u00ednio bastante espec\u00edfico de controle de cena, de velocidade e de montagem, da distens\u00e3o do tempo, que fazem de Sari um pupilo muito bem treinado pelas horas e horas de visionamento e compreens\u00e3o de De Palma. <em>Verde-Oliva <\/em>foi o t\u00edtulo de encerramento do Olhar de Cinema em 2025 e, de personalidade pr\u00f3pria, filma Curitiba como personagem integrada e integrante dos desdobramentos de cena, tem consci\u00eancia de seus limites t\u00e9cnicos e n\u00e3o abre m\u00e3o da exuber\u00e2ncia mesmo nos momentos de maior risco. \u00c9 um filme singular no cen\u00e1rio independente at\u00e9 para os padr\u00f5es desse cen\u00e1rio e fala sobre um Brasil urgente sob a chave da universalidade de um grande artista em quem se baseia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, aqui, de um conjunto de filmes que s\u00e3o espelhos e agentes de transforma\u00e7\u00e3o, que buscam no olhar do p\u00fablico a cumplicidade de apreens\u00e3o de suas for\u00e7as. Voc\u00ea n\u00e3o vai sair indiferente de nenhum deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Cleber Eduardo<\/strong><br><strong>Marcelo Miranda<\/strong><br><strong>Rubens Fabr\u00edcio Anzolin<\/strong><br>Curadoria de longas-metragens brasileiros<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><\/p>\n\n\n\n    <div id=\"movie-block_68b8d24638580\" class=\"movie-block\">\n                  <div data-slides-per-view=\"4\" id=\"block_68b8d24638580\" class=\"movie expanded movie-block movie-list\">\n            <div class=\"container container-1216 flex-col\">\n        <div class=\"\">\n                    <div class=\" movie-items\">\n            <div class=\"movie-items-wrapper\">\n                  <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/a-voz-de-deus\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" 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class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Aqui N\u00e3o Entra Luz<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Karol Maia<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/assalto-a-brasileira\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/Assalto-a-Brasileira--280x432.jpeg\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Assalto a Brasileira<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Eduardo Belmonte<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/enquanto-o-ceu-nao-me-espera\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/FestBrasilia_Enquanto-o-Ceu_Cartaz_site-768x1152-Arapua-Filmes-280x432.png\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Enquanto o C\u00e9u N\u00e3o Me Espera<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Christiane Garcia<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/enterre-seus-mortos\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/Enterre-seus-mortos-280x432.jpg\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Enterre Seus Mortos<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Marco Dutra<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/meu-pai-e-eu\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/MEU-PAI-E-EU_CARTAZ-Arapua-Filmes-280x432.png\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Meu Pai e Eu<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Thiago Moulin<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/morte-e-vida-madalena\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/Morte-e-Vida-Madalena-280x432.jpg\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Morte e Vida Madalena<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Guto Parente<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil, Portugal<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/nosferatu\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" src=\"https:\/\/universoproducao.nyc3.digitaloceanspaces.com\/cinebh2025\/2025\/08\/Cartaz-Nosferatu-cristiano-burlan-280x432.jpg\" class=\"movie-img\" alt=\"\" \/>\n                <span class=\"movie-content\">\n          <span class=\"title\">Nosferatu<\/span>\n                      <span class=\"direction on-hover\">Dire\u00e7\u00e3o: Cristiano Burlan<\/span>\n                                          <span class=\"country on-hover\">Brasil<\/span>\n                                <span class=\"read-more btn-link on-hover uppercase\">\n              Saiba mais <i class=\"icon-arrow-right\"><\/i><\/span>\n                  <\/span>\n      <\/a>\n    <\/div>\n        <div class=\"movie-item  \">\n      <a href=\"https:\/\/cinebh.com.br\/2025\/filme\/paraiso\/\">\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"280\" height=\"432\" 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