Ao olhar as várias camadas que compõem uma cidade, encontramos uma série de grupos e coletivos organizados que se movimentam na luta por direitos. Pessoas que caminham juntas, caminham de forma auto-organizada, respeitando as singularidades do grupo, identificando problemas e desafios que são comuns a todos. Participar de um coletivo é uma forma de compartilhar a caminhada e construir pontes de forma integrada. Também no campo da cultura e das artes, o fazer coletivo partilha sonhos e reconhece interesses comuns.Ao somar desejos, afetos e potências, os coletivos de arte e cultura alçam voos pela cidade, pelo país, pelo mundo afora.

Nesta edição, a Mostra A Cidade em Movimento convida os coletivos Arautos do Gueto, Cia. dos Anjos, Cia. Fusion de Danças Urbanas, A|Borda Cultural, Filmes de Rua, Cine Leblon, Editora Venas Abiertas, para partilhar suas histórias de luta e conquista pela arte e pela comunidade. Formas de pesquisar, investigar e atuar artisticamente movidas por afetos e desejos que são de todos, para todos. Um lugar comum de onde se parte, um lugar comum onde se pretende chegar.

Convidamos também para integrar a programação o projeto Trajeto Moda –Um Sonho de Autonomia, quefaz parte do Programa Percursos Gerais: Trajetória para Autonomia,da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), construído como parte da estratégia para promoção da autonomia de famílias que moram nas 73 cidades com menor IDH do estado.

COLETIVOS CONVIDADOS

A|BORDA

Karine Bassi

A casa de cultura e produtora Cultural A|Borda nasceu na região do Barreiro, periferia de Belo Horizonte (MG), a partir de atividades sociais e culturais desenvolvidas com o Coletivoz. Trabalha para a valorização e distribuição da cultura local, incidindo para alavancar as diversas artes das periferias e pequenas ocupações urbanas.

Contato: karine Bassi  – karinebassii@gmail.com

ARAUTOS DO GUETO

Arautos do gueto

Atua nas áreas de produção artística, difusão e formação sociocultural na cidade de Belo Horizonte desde o ano de 1996.No ano de 2020,comemorou 24 anos. Como presente de aniversário ganhou a aliança social do mais importante projeto do Brasil, o Gerando Falcões, que potencializou e projetou ainda mais a imagem do Arautos em outras comunidades do país. Nossa parceria com a flor do cascalho possibilita a expansão do nosso trabalho. Na casa desenvolvemos a oficina de percussão com tambores reaproveitados, como: lata de tinta e galões de plásticos. Atendemos a mais de 40 alunos. Uma parceria de sucesso nesse importante espaço cultural na comunidade.

Contato: Dodó Silva – dodopercu@hotmail.com

CIA. DOS ANJOS

Cia dos Anjos

A Cia. dos Anjos forma estudantes da dança de rua desde 16 de dezembro de 1999, com o foco de levar a “dança urbana” aos altares, palcos e teatros de uma maneira profissional e educativa – dando ênfase a uma das vertentes dessa linguagem: oestilo “hip hop dance e house”. Seu primeiro nome foi Cia. of Angels, depois passou a se chamar “Cia. dos Anjos”.

Contato: Wallison Culu  – wallisonculu@hotmail.com

CIA. FUSION DE DANÇAS URBANAS

Cia Fusion

A Companhia Fusion de Danças Urbanas é uma companhia mineira especializada nas danças urbanas, também chamadas de dança de rua ou street dance. A companhia, além de viver a cultura de rua, busca mostrar essa cultura, às vezes restrita a pequenos grupos, para o mundo, aproximando cultura urbana de conceitos variados e de outras artes, e mostrando o valor artístico que essa cultura possui.

Contato: Wallison Culu  – wallisonculu@hotmail.com

EDITORA VENAS ABIERTAS

Venas Abiertas é uma editora construída no formato cooperativo e popular que prevê a produção e disseminação da literatura produzida por pessoas à margem do mercado editorial.

Contato: karine Bassi  – karinebassii@gmail.com

COLETIVOS DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL

Trazendo a ideia de comum para o cinema encontramos lugares próprios da partilha, do enlace, da comunidade, do fazer junto, fazer com. Os lugares são ressignificados, as relações são restabelecidas, a hierarquia e a estrutura são destituídas para que surjam outras formas de sentir e de filmar. Filmes produzidos de forma dialógica, horizontal e orgânica. Filmes produzidos coletivamente, imbricados e engajados na realidade onde nascem. Filmes coletivos, coletivos que fazem filmes. Para conhecer e apresentar esse modo de fazer cinema, a Mostra A Cidade em Movimento convida os Coletivos Filme de Rua e Cine Leblon, grupos que atuam politicamente na cidade fazendo cinema, fortalecendo relações, inspirando mudanças pessoais e comunitárias.

FILME DE RUA

Filme de Rua

O coletivo se organizou em 2015 para produção do curta-metragem Filme de Rua (2017). Na época, houve um processo de criação coletiva com a participação de profissionais e militantes das artes plásticas, cinema, psicanálise, comunicação e história e 15 adolescentes e jovens, negros e negras, cis e trans, em situação de rua, no município de Belo Horizonte. Pelas ruas do Centro da cidade, eles compartilharam e vivenciaram de forma fluida, assim como a própria condição de rua por vezes estabelece, suas histórias e desejos por meio do cinema.

 Para ampliar suas ações e fortalecer vínculos com a cidade e as políticas públicas o coletivo inaugurou, em março de 2019, o Espaço Cultural Filme de Rua, que abriga as ações da Associação Filme de Rua, entidade sem fins lucrativos, fundada em 2018, que fomenta atividades de formação e realização audiovisual voltadas para pessoas com trajetória de vivência nas ruas de Belo Horizonte.

Contato: deruafilme @gmail.com

CINE LEBLON

Cine Leblon

É um coletivo que tem sua origem no bairro Jardim Leblon –localizado na Zona Norte da cidade de Belo Horizonte. A partir de uma oficina de criação de vídeos do programa de prevenção a homicídios do estado de MG, Fica Vivo! –realizada no ano de 2014 –um grupo de jovens artistas se reuniu para produzir uma peça audiovisual que falasse de temas associados às suas vidas e ao local onde viviam.

Desde então, esse grupo tem insistido em dar corpo a diferentes anseios, ideias e projetos. Hoje, o Cine Leblon é formado por pessoas que atuam em diferentes modalidades artísticas e que são oriundas de diversas regionais da capital mineira. São atores e atrizes, artistas visuais, diretores e diretoras de teatro e de cinema, músicos e músicas que se unem para construir um olhar mais atento e sensível sobre o mundo onde vivemos.

Essa diversidade que caracteriza o coletivo tem encontrado sustentação, ao longo de todos esses anos, na criação coletiva de filmes, vídeos e fotografias. Entre os principais trabalhos desenvolvidos pelo Cine Leblon estão os curtas-metragens Labirinto (2015) e Brooklin (2019) e o média-metragem Desacertos (2018). Ao longo de sua trajetória, o coletivo já foi contemplado pelos prêmios Cena Plural e Descentra, da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, e pelo Prêmio Artes Visuais Periferias e Interiores da Funarte.

Contato: cineleblon@gmail.com

PROJETO SOCIAL CONVIDADO

TRAJETO MODA – UM SONHO DE AUTONOMIA

Trajeto Moda

O Trajeto Moda faz parte do Programa Percursos Gerais: Trajetória para Autonomia,da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), construído como parte da estratégia para promoção da autonomia de famílias que moram nas 73 cidades com menor IDH do estado.

O sonho é criar condições para o desenvolvimento da autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade social, em especial aquelas vítimas de violência e outros abusos, contribuindo para que elas sejam protagonistas de suas próprias histórias. O caminho é ensinar-lhes um ofício para que tenham independência financeira –obstáculo que muitas vezes mantém a condição de coabitação com o agressor e continuidade da situação de vulnerabilidade.

O Trajeto Moda prevê capacitações em corte e costura, além de outras formações –como direitos humanos, liderança, associativismo e vendas –que promovam conhecimento e prática para estabelecer células autos sustentáveis, de forma a estabelecer uma rede produtiva na região onde moram.

Um projeto piloto atende 10 mulheres do Aglomerado da Serra e sete líderes de cada uma das cidades-sede das regionais da Sedese – Muriaé, Gov. Valadares, Salinas, Almenara, Diamantina, Teófilo Otoni e Montes Claros – onde estão os 73 municípios com menor IDH de Minas.