A CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chegou a sua 14a edição de 29 de outubro a 2 de novembro de 2020, em formato online, o mais indicado e seguro para o momento de pandemia de covid-19. Um desafio para os novos tempos de mudanças em que a tecnologia acelera todos os processos e conexões entre as artes.

Foram cinco dias de intensas atividades para todas as idades e públicos. Uma temporada audiovisual de formação, reflexão, exibição e difusão do cinema brasileiro em intercâmbio com outros países, em conexão com as outras artes e em diálogo com a cidade de Belo Horizonte. O evento se reafirmou como um espaço de perspectivas e possibilidades do cinema do presente e do futuro.

A Mostra reuniu uma seleção de 54 filmes nacionais e internacionais, em pré-estreias e mostras temáticas, colocou 66 profissionais do audiovisual, das artes cênicas e convidados no centro de 20 debates, rodas de conversa e masterclasses internacionais. Investiu na formação e capacitação de profissionais com a oferta de uma oficina e três laboratórios de roteiro. Realizou sessões cine-escola, Mostrinha de Cinema, dedicada ao público infantojuvenil, exposição e atrações artísticas ao vivo, em que a programação é oferecida gratuitamente ao público.

A temática desta edição, Arte Viva: Redes em Expansão, explicitou a percepção da equipe curatorial do evento – formada pelos críticos e pesquisadores Pedro Butcher, Francis Vogner dos Reis e Marcelo Miranda – de um cenário histórico e inédito em que todo tipo de criação artística passou a ser transmitido no formato audiovisual.

Em tempos de lives, shows online, performances ao vivo ou gravadas, o que pode, afinal, ser chamado de filme? A essa altura, neste momento específico, o que diferencia uma peça de teatro de um espetáculo musical de um longa ou curta-metragem, se todos chegam aos olhares do mundo inteiro por telas e dispositivos? A proposta da 14ª CineBH foi pensar essa rede de relações entre arte e audiovisual que se criou a partir da emergência da pandemia.

A 14ª CineBH colocou em destaque o trabalho o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação – um grupo de artistas de várias regiões do Brasil que se uniu e foi fundado ainda em março. Conduzido por Juracy de Oliveira, ator e diretor cearense radicado no Rio de Janeiro, o grupo tem se dedicado à pesquisa em criações remotas transmitidas pelo Zoom. Uma das principais características da iniciativa é a presença de artistas de teatro de diversas cidades do país, de diferentes gerações e lugares sociais.

Além de dois experimentos ao vivo da Pandêmica que foram apresentados durante o evento, o público pôde conferir mais quatro trabalhos que integram a Mostra Arte Viva, que contou também com a curadoria de Daniele Avila Small e que propôs pensar este campo de investigação de linguagem que se abriu no encontro entre o teatro, o audiovisual e o meio virtual, em que as redes e as ferramentas de audiovisual assumiram protagonismo que tem servido para a manutenção e até sobrevivência de espetáculos de arte presencial.

A mostra A Cidade em Movimento apresentou 16 filmes – médias e curtas independentes realizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte e que dialogam com a vivência urbana diante de contextos sociais propostos pela curadoria assinada por Paula Kimo. A seleção desta edição levou em conta o cenário imposto pela pandemia do novo coronavírus para pensar sua temática, definida como Sonhar a Cidade para pensar a relação entre a cidade e o sonho a partir de algumas reflexões, tais como: O que o cinema é capaz de produzir quando se é provocado a pensar os desafios da cidade na perspectiva do sonho? Que cidade se pode sonhar, experimentar e debater por meio das imagens?

Vírus, mortes, isolamento, confinamento, quarentena. Higienize os ambientes, higienize os alimentos, use álcool gel, use máscara, mantenha a máscara sobre a boca e o nariz, lave as mãos, mantenha distância, sobreviva. Como se dá a compreensão do espaço que habitamos? Com que imagens construímos nossos sonhos? A tecnologia vai ser ponte ou muro? Quem movimenta a sua cidade?

Integrou também a programação o Brasil CineMundi – 11th International Coproduction Meeting, o evento de mercado do cinema brasileiro, que celebrou em 2020, onze anos de existência consolidado como ambiente de mercado e plataforma de rede de contatos e negócios para o cinema brasileiro. O evento fez a conexão entre a produção brasileira e a indústria audiovisual, e nesta edição, além de profissionais brasileiros, contou com a participação de 30 convidados internacionais da indústria audiovisual com a proposta de prestar consultorias e encontros individuais aos 23 projetos selecionados, conhecer e fazer negócios com futuros projetos de cinema brasileiro em longa-metragem.

O evento criou pontes para dialogar e compartilhar histórias. Foi um espaço de formação, intercâmbio, lançamento e discussão da mais significativa produção cinematográfica atual. A cada edição renova seu compromisso de estabelecer diálogo entre as culturas, ampliar as oportunidades de negócios, parcerias e participação de projetos e profissionais brasileiros em eventos de mercado e festivais internacionais.

Com a parceria do Goethe Institut e curadoria de Pedro Butcher, o cinema alemão ganhou destaque na programação do evento em filmes e presenças de profissionais da Alemanha que participaram de painéis, masterclasses, consultorias e encontros de coprodução estabelecendo uma conexão entre as culturas e, ainda, ampliou as possibilidades de troca de experiências e acesso do público a filmes que dialogam com a temática desta edição e experimentam linguagens híbridas e transversais que se estendem por outras épocas e movimentos. Essa participação enriqueceu a programação do evento e soma a reflexão de pensar sobre o hidridismo de linguagens e de mídias, acentuado pela pandemia.

Realizar este empreendimento cultural ousado e inovador em um cenário de transições e transformações representa compromisso, responsabilidades e ações compartilhadas, nas quais a vontade, a persistência e a determinação são ingredientes que ampliam as possibilidades de seguir acreditando na potência da nossa cultura.

Agradecemos a participação dos profissionais do audiovisual e da cultura, imprensa, lideranças, comunidades e público em geral. Aos patrocinadores e parceiros desta edição, que investiram e acreditaram que a soma de esforços potencializa e contribui para o desenvolvimento econômico e a construção da cidadania em seus mais significados conceitos e efeitos multiplicadores, nossa gratidão.

Diante da sua tela e de seus olhos serão descortinadas infinitas possibilidades e histórias que podem se tornar fermento para novas frentes de atuação, visão, afetos, diálogos e reinvenção em tempos de redes em expansão. No ano em que o mundo parou, é alentador reconhecer que o audiovisual continua em movimento.

Vamos continuar sonhando e conectados.

Confira os vencedores:

VENCEDOR MELHOR PROJETO EM DESENVOLVIMENTO – Júri Oficial

“Mãe do Ouro” (MT), da produtora Beatriz Martins e com direção de Madiano Marcheti

 

PROYECTA | VENTANA SUR

“Não estamos sonhando” (AL/BA)

 

DOCMONTEVIDEO

“É tudo parente” (MG)

 

MAFF

“Paralaxe” (MG)

 

CONECTA

“A voz de Deus” (SP)

 

WCF AUDIENCE DESIGN

“Casa no Campo” (RS)

 

INCUBADORA PARADISO 2021

“Acalanto” (PE)

 

ENCUENTROS BIOBIOCINE

“A cor da margem” (RJ)

 

NUEVAS MIRADAS

“Mãe do Ouro” (MT)