DEBATE DO PAPEL PARA AS TELAS REVELA ESTRATÉGIAS DE PRODUTORES DIANTE DO ESTRANGULAMENTO DAS POLÍTICAS AUDIOVISUAIS NO BRASIL

Foto: Leo Lara/Universo Produção

Coprodutores que são parceiros criativos e que batalham pela integralidade dos filmes. São estes os encontros que os diretores e produtores do debate Do papel para as telas relataram encontrar nas experiências que tiveram ao longo da história do Brasil CineMundi.

Ana Luiza Azevedo, diretora de “Aos olhos de Ernesto”, Julia Murat, produtora de “A Febre”, Leonardo Mecchi, produtor de “A morte habita à noite”, Paula Pripas, produtora de Desterro, Sara Silveira, produtora de “Todos os Mortos” e Sérgio Oliveira, produtor de “Carro Rei” contaram as trajetórias singulares de seus trabalhos depois de participar do evento do mercado de cinema realizado pela Universo Produção. A mediação foi de Pedro Butcher, parceiro do Brasil CineMundi e curador da 15ª Mostra CineBH.

De maneira geral, os convidados contaram sobre como cada um tem repensado estratégias diante do estrangulamento das políticas audiovisuais no Brasil. Em comum, a busca por parcerias estrangeiras, de todos os tamanhos E mais: acordos que respeitam a originalidade de seus projetos. 

“O mercado internacional está tendo uma generosidade com os projetos brasileiros”, afirmou Sara Silveira. Segundo ela, produtores de outros países já perceberam a situação que o cinema produzido aqui se encontra e estão dispostos a fazer algo. “Sinto esses olhares mais fortes para o que estamos fazendo. Os países de primeiro mundo têm que ter sim um olhar para nós. É aí que temos que buscar recursos”, acrescentou. 

Ao fazer uma conta rápida, Sara Silveira revelou que nos últimos 15 anos, somente os projetos realizados por ela movimentaram cerca de 2 milhões de euros. “Esse governo é burro porque não sabe negociar. O nosso audiovisual é um belo negócio e nós já mostramos isso de diversas formas”. 

Experiências no CineMundi

A diretora de “Aos Olhos de Ernesto”, Ana Luiza Azevedo, abriu o debate ressaltando o papel fundamental do Brasil CineMundi no percurso do longa. O projeto foi um dos selecionados em 2014. “É quando o projeto começa a ser conhecido. Os curadores internacionais passam a ter uma referência e isso faz muita diferença na história do filme”, ressaltou. Aos olhos de Ernesto foi selecionado para o Busan International Film Festival, um dos mais importantes da Ásia. 

A produtora Julia Murat compartilhou os bastidores do desenvolvimento do longa A Febre, de Maya Da-Rin. O projeto do longa ganhou um dos prêmios principais do CineMundi também da edição de 2014. O filme estreou no Festival de Locarno depois de inúmeras participações em laboratórios de roteiro internacionais e mercados. O primeiro deles foi justamente o prêmio concedido pelo 5º Brasil CineMundi: a vaga para participar do Meeting Event do Torino FilmLab. “Diria que a carreira principal do filme iniciou aí no CineMundi”. 

“O Brasil CineMundi é um encontro de coprodução, mas não se encerra só nisso”, destacou o produtor Leonardo Mecchi, responsável por projetos como A Febre e A Morte Habita a Noite, de Eduardo Morotó. Segundo ele, o Brasil CineMundi é um evento muito acolhedor e tem, entre os diferenciais, o fato dos produtores internacionais terem um interesse prévio por projetos brasileiros. 

Foi o que a produtora Paula Pripas também destacou. Para ela, o Brasil CineMundi tem uma curadoria muito certeira e os representantes internacionais convidados têm um histórico de interesse pelo cinema brasileiro. Ela conta que foi graças à participação no projeto realizado pela Universo Produção que Desterro concretizou a coprodução com a argentina. “Ganhamos uma vaga para a participação no Ventana Sur, da Argentina, e lá conhecemos o coprodutor”, lembrou.

Com vasta experiência em grandes festivais como Veneza, Cannes e Berlim, a produtora Sara Silveira lembrou as inúmeras vezes que esteve com projeto no Brasil CineMundi. Segundo ela, assim como a iniciativa impulsionou o mercado audiovisual brasileiro, os participantes de cada edição também deixam suas contribuições. “Vejo que o cinema que eu faço está cada vez mais difícil, mas não estou me entregando”, finalizou.

O produtor de Carro Rei, Sérgio Oliveira, contou que foi no Brasil CineMundi que ele conheceu um interlocutor importante para a realização do filme. O projeto do longa, que será exibido na Mostra Brasil CineMundi na programação de encerramento da 15ª CineBH, foi selecionado em 2013. 


SOBRE A MOSTRA CINEBH

Com edições anuais e consecutivas, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 15a edição de 28 de setembro a 03 de outubro de 2021, em formato online e gratuita, reafirmando seu propósito de mostrar o cinema para o mundo, promover o diálogo entre as culturas, aproximar povos e continentes, fazer a conexão do cinema brasileiro com o mercado audiovisual, realizar encontros de negócios, investir na formação, intercâmbio e cooperação internacional, construir pontes nas escolas, comunidades, redes sociais e com a cidade de Belo Horizonte e Minas Gerais.

A 15a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 12o Brasil CineMundiintegram o Cinema sem Fronteiras 2021 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

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