SESSÃO PRESENCIAL ESPECIAL, PRÉ-ESTREIAS E WORK IN PROGRESS SÃO ALGUNS DOS DESTAQUES CINEMATOGRÁFICOS DESTA QUINTA-FEIRA

A programação cinematográfica da 15a CineBH segue intensa nesta quinta-feira, dia 30 de setembro. Os fãs da sétima arte têm a disposição, para conferir na tela de sua preferência, diferentes tipos de produções: desktop documentário, filmes experimentais, animação, ficções e filmes-ensaio. Toda a programação é gratuita e pode ser conferida pelo site www.cinebh.com.br.

Além da exibição de filmes no site oficial do evento, a 15a CineBH promove uma sessão presencial especial, no Cine Sesc Palladium, para celebrar seus 15 anos dedicados ao cinema brasileiro. Confira a relação completa de longas e curtas-metragens recomendados pela equipe curatorial para esta quinta.

Quem movimenta a cidade”?

Uma das grandes novidades da CineBH em 2021, a ação intitulada “Quem movimenta a cidade?” é um recorte da programação proposta pela Mostra A Cidade em Movimento e contará com duas sessões presenciais. A primeira,  será realizada às 10 horas, no Cine Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro), e é destinada às mulheres integrantes do “Trajeto Moda – Um Sonho de Autonomia” – projeto-piloto que atende 10 mulheres do Aglomerado da Serra e sete líderes de cada uma das cidades-sede das regionais da Secretaria Estadual de Desenvolvimento (Sedese)) – Muriaé, Gov. Valadares, Salinas, Almenara, Diamantina, Teófilo Otoni e Montes Claros – onde estão os 73 municípios com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de Minas.

Nesta esta sessão, chamada “Mulheres em Cena” serão exibidos três curtas-metragens: A animação “Vida Maria” (CE), de Márcio Ramos, traz a história de Maria José, uma menina de 5 anos de idade, que é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece. O documentário performático “Minha raiz” (MG), dirigido por Labibe Araújo,  perpassa a autoestima da mulher negra e a invisibilidade perante a sociedade. Já a ficção “A batalha das colheres” (MG), da cineasta Fabiana Leite, retrata a história de Salomão, que ao ser abandonado por Francisca, projeta contra ela uma vingança cruel e em seguida parte para um lugar distante onde pretende tocar sua vida impunemente, ao lado de outra mulher. Ele só não esperava que bem ali, naquele pequeno vilarejo, um “lugar sem lei”, poderia ser confrontado pelos seus atos.

Após a exibição, as espectadoras poderão participar de um bate-papo com a diretora Labibe Araújo e a atriz Rejane Faria sobre a temática “Mulheres em cena”. A mediação será da curadora Paula Kimo.

Longas-metragens

Mostra Diálogos Históricos: Nesta quinta, o destaque selecionado pela curadoria é o thriller carioca “O 5o Poder” (DF), dirigido pelo italiano Alberto Pieralisi e produzido pelo espanhol Carlos Pedregal. Lançado no Festival de Berlim em 1963, o filme desapareceu após a exibição na Alemanha, tendo os negativos originais destruídos. A produção alegou ter sido censurada e perseguida por conta do teor provocativo do filme. Quatro décadas depois, encontrou-se uma cópia em condições regulares, mas possível de ser salva e hoje em circulação (inclusive com legendas em alemão). A ficção mostra a grande conspiração de um país desenvolvido (nunca identificado) para roubar as chamadas “riquezas naturais” do Brasil. Cheio de cenas de suspense e ações filmadas em cartões-postais do Rio de Janeiro, a obra tem novos contornos hoje, não só por antecipar muito do que aconteceu ao Brasil naquele período, mas por também ser uma forte alegoria (em retrospecto) do que acontece atualmente no país.

Após a exibição do filme, a sessão é comentada pelo crítico convidado, o professor e pesquisador Reinaldo Cadernuto, com mediação do curador Marcelo Miranda.

Mostra Temática: Os cinéfilos estão convidados para prestigiar a pré-estreia nacional da ficção “Cena do crime” (RJ), dirigido por Pedro Tavares. Nessa produção o cineasta trabalha com extrema originalidade as questões abordadas pela temática desse ano na CineBH, “Cinema e Vigilância”. O assassinato de uma jovem em um bairro nobre do Rio de Janeiro é o ponto de partida para um passeio por um labirinto de imagens, construído a partir do ponto de vista de câmeras e aparatos de vigilância espalhados por ambientes internos e externos. Uma ansiedade latente e um sentido de mistério chamam a atenção para aquilo que as câmeras não podem mostrar.

Mostra Contemporânea Internacional: Para quem gosta de produções cinematográficas internacionais, a dica da equipe curatorial é o documentário “Os primeiros 54 anos – Pequeno manual para ocupação militar”, uma coprodução França/Finlândia/Israel/Alemanha. O diretor israelense Avi Mograbi apresenta, ele próprio olho no olho do espectador, a sequência de depoimentos de soldados do Exército de Israel descrevendo, em detalhes, de que forma agiram para ocupar territórios palestinos ao longo dos últimos 50 anos. Utilizando registros do projeto BreakingtheSilence (“quebrando o silêncio”), Mograbi expõe os horrores institucionalizados pelo Estado desde 1967, numa sequência de 38 homens que se revelam indivíduos a serviço de um poderio muito maior e incontrolável. Com frontalidade habitual, Mograbi traz à tona e em detalhes a feiura de uma política que segue vitimando dezenas de pessoas nas regiões do Oriente Médio. O filme estará disponível de 20:00 de 30/09 até 20:00 de 03/10, com acesso limitado de visualizações.

Mostra Contemporânea Brasil: Nesta quinta-feira, está em destaque a pré-estreia nacional da ficção  “Desaprender a dormir” (SP), com roteiro e direção de Gustavo Vinagre. A produção poderia ser considerada um filme que toma a circunstância do isolamento social como ponto de partida, mas avança para uma elaboração mais radical que parte da dificuldade de dormir – e de uma certa insularidade contemporânea que está para aquém e além da pandemia – como uma condição contemporânea que afeta os corpos, os desejos e o imaginário. A obra, por mais que lide com a condição atual de um psiquismo em vias de exaustão, mantém um humor singular que é também uma reserva libidinal.

Sessão CineMundi: Outra dica imperdível é conferir a pré-estreia nacional do documentário “Por onde anda Makunaíma?” (RR/SP), do diretor Rodrigo Séllos. O filme faz um resgate histórico e cultural daquele que é o personagem ficcional mais identificado com um certo jeito de ser brasileiro. A começar por Makunaíma, mitos de origem de etnias da tríplice fronteira Brasil-Venezuela-Guiana, registrado em livro pela primeira vez no início dos anos de 1910, pelo etnólogo alemão Koch-Grünberg. É ele quem faz a ponte entre o extremo norte da América do Sul com o Brasil não-indígena, por meio de Mário de Andrade, célebre autor da rapsódia Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, de 1926. Com depoimentos em português, alemão, espanhol, macuxi e taurepang, a produção retorna a esse personagem que já nasce múltiplo e segue contemporâneo.

O documentário foi vencedor do 53o Festival de Brasília em 2020 eficará disponível por apenas 24 horas: de 20:00 de 01/10 até 20:00 de 02/10.

Work in progress: Outra oportunidade que a CineBH oferece para o público é conferir o documentário “Fala, Cassandra” (SP), do diretor Miguel Antunes Ramos. No Brasil contemporâneo, um grupo de teatro tenta encenar a história de Cassandra (profetisa de Apolo) e Agamênon. Trata-se de uma produção sobre a potência de ver e o risco de ser visto. Sobre aquilo que nós não vimos no desastre que nos engole a todos.

Este filme, em fase de work in progress, será exibido somente no dia 30 de setembro em duas sessões de uma hora, às 16 e 20 horas, sendo uma sessão antes e outra depois da Roda de Conversa – Encontro com os Realizadores que marcada para às 17 horas, com a participação do diretor Miguel Antunes Ramos – cineasta | SP e mediação de Francis Vogner dos Reis – curador Mostra CineBH | SP.

Curtas-Metragens

Mostra Temática: dedicada à temática “Cinema e Vigilância”, a mostra põe em evidência, nesta quinta, quatro curtas-metragens.Circuito hackeado”(EUA), de Deborah Stratman, joga luz a um aspecto que se torna evidente quando se vê os filmes de ficção sobre vigilância, sobretudo aqueles produzidos por Hollywood no ambiente de paranoia pós-Watergate: a importância do som na construção de uma constante sensação de estarmos sendo vigiados. Stratman concebe seu filme como um plano sequência em que a câmera se movimenta lentamente, enquanto ouvimos a trilha do filme “A conversação” (The Conversation, 1974), de Francis Ford Coppola. Em Nunca é noite no mapa” (PE), o diretor Ernesto de Carvalho parte de imagens do Google Maps para nos fazer ver além da “utilidade” do “serviço”. O passeio virtual proposto por Ernesto sublinha arquiteturas urbanas e os rostos apagados das pessoas eventualmente flagradas pelas câmeras 360 graus. O filme-ensaio “Pode o sol mentir?” (Reino Unido), da cineasta Susan Schuppli, uma das fundadoras do coletivo Forensic Architecture, examina a história do uso da fotografia e da imagem em movimento como evidência em tribunais de justiça. A pergunta do título foi feita durante um julgamento nos Estados Unidos em 1886, inaugurando disputas e discussões em torno do conhecimento leigo, da perícia científica e da força simbólica das imagens como evidências. E a partir de centenas de registros amadores das filmagens da franquia Transformers carregados na internet, o diretor Kevin B. Lee concebeu “Transformers: The Premake”(EUA), documentário construído a partir do desktop de uma tela de computador. Nele, temos não só a dimensão da ubiquidade das câmeras, mas também da operação de guerra que é a produção de um grande blockbuster hollywoodiano da era global.

Mostra Contemporânea Brasil: para esta quinta a curadoria destaca a sessão “Medo e Delírio” com quatro curtas que tensionam emoções limítrofes de medo e perigo. Seja pelo viés da crônica cotidiana em “Rafameia” (PB), de Mariah Teixeira e Nanda Félix; pelo experimento com o gênero horror dos filmes “Modo Noturno” (BA), com direção e montagem de Calebe Lopes e “Muriel” (RJ), dirigido por João Pedro Faro ou pela apreensão distópica da ficção “Per Capita” (PE), de Lia Letícia.

Mostra A Cidade em Movimento: A segunda sessão da mostra temática criada para dar visibilidade a produções da Região Metropolitana de Belo Horizonte e a reflexões de grupos artísticos e sociais sobre questões urbanas é intitulada “Mátria Amada” e conta com cinco curtas-metragens. Esse recorte nos provoca a pensar sobre o que resiste entre o lugar social da mulher e o papel estruturante do ser mãe. Ao organizar filmes que colocam em contraste o desejo e a obrigação do amor parental, a sessão busca discutir e, em alguma medida, implodir paradigmas de um sistema masculinamente organizado.

Em Sessão 27”, de Haendel Melo, um homem escuta a sessão de terapia de uma mulher. No documentário “Casa número zero”, de Breno Mesquita, o materno se desprende do lugar da mãe e ganha outros contornos familiares.   “Aurora”, de Leo Ayres, mostra sequências de uma câmera que insiste em mostrar a mãe. No experimental “Conselheira”, dirigido por Rafael Bacelar, com atuação de Juliana Abreu, os espectadores conhecem a artista, a mulher e a mãe solo desempenhando todos esses papéis simultaneamente. Já “Ela, Dora”, de Franco Dafon e Renata Victoriano, mostra o retrato de uma mulher mãe que subverte o destino.

A partir das 19 horas, o público poderá conferir, no site oficial do evento www.cinebh.com.br, uma Roda de Conversa ao vivo com a participação de Breno Mesquita – diretor e produtor do filme “Casa Número Zero”; Franco Dafon – diretor e ator e Renata Victoriano – diretora e roteirista do filme “Ela, Dora!”; Haendel Melo – diretor e roteirista do filme “Sessão 27”; Leo Ayres, diretor e roteirista do filme “Aurora”; Rafael Bacelar – diretor e Ju Abreu – atriz e produtora do filme “Conselheira” e a convidada especial Luciana Brandão – multiartista do Coletivo MAM – Movimento Arte na Maternidade| MG.

SOBRE A MOSTRA CINEBH

Com edições anuais e consecutivas, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 15a edição de 28 de setembro a 03 de outubro de 2021, em formato online e gratuita, reafirmando seu propósito de mostrar o cinema para o mundo, promover o diálogo entre as culturas, aproximar povos e continentes, fazer a conexão do cinema brasileiro com o mercado audiovisual, realizar encontros de negócios, investir na formação, intercâmbio e cooperação internacional, construir pontes nas escolas, comunidades, redes sociais e com a cidade de Belo Horizonte e Minas Gerais.

A 15a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 12o Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2021 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

SERVIÇO

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE EVENTO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE

PATROCÍNIO: MATER DEI, COPASA, CEMIG | GOVERNO DE MINAS GERAIS

PATROCÍNIO MOSTRA A CIDADE EM MOVIMENTO: patrocinada com recursos do Fundo Internacional de Ajuda para Organizações de Cultura e Educação 2021 do Ministério das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros: www.goethe.de/hilfsfonds

PARCERIA CULTURAL: SESC EM MINAS, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, CASA DA MOSTRA

PARCEIROS BRASIL CINEMUNDI: EMBAIXADA DA FRANÇA NO BRASIL, DOT, MISTIKA, PARATI FILMS, CTAV, FORTE FILMES, NAYMOVIE

COOPERAÇÃO BRASIL CINEMUNDI: WORLD CINEMA FUND(Alemanha), NUEVAS MIRADAS – EICTV(Cuba), BIOBIOCINE(Chile), CONECTA – CHILE DOC(Chile),  MAFF(Espanha), DOCSP(Brasil), DOCMONTEVIDEO (Uruguai), VENTANA SUR(Argentina), INSTITUTO OLGA RABINOVICH / PROJETO PARADISO(Brasil)

APOIO: CAFÉ 3 CORAÇÕES.

REALIZAÇÃO: UNIVERSO PRODUÇÃO

SECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA | MINISTÉRIO DO TURISMO| GOVERNO FEDERAL

ASSESSORIA DE IMPRENSA 

ETC Comunicação | (31) 99742.7874 – Luciana d’Anunciação | luciana@etccomunicacao.com.br/(31) 98454.7928 – Marina Duarte | marina@etccomunicacao.com.br | (31) 99120.5295 – Jihan Kazzaz | jihan@etccomunicacao.com.br | Pollyanna Alcântara | assessoria@etccomunicacao.com.br | (31)99752.4058

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Produção de Texto: Marcelo Miranda e ETC Comunicação