TEMAS URGENTES SÃO COLOCADOS EM PAUTA NA RODA DE CONVERSA “CONTRAPODER”

20211001 – 15ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte – Brasil Cinemundi – 12th International Coproduction Meeting – Roda de Conversa: Contrapoder – Foto: Reprodução/Universo Produção

Na noite dessa sexta-feira, 1º de outubro, a 15a CineBH promoveu mais uma Roda de Conversa da programação da mostra “A Cidade em Movimento”, desta vez com tema “Contrapoder”. Participaram do bate-papo os diretores que compõem este recorte da mostra: Eduardo DW e Álvaro Starling, de “Cidade Analógica”; Fernando Moreira, de “O vazio que atravessa”; Pedro Gonçalves, de “O resto”; Antônio Beirão, de “Opção do Tomo” e Arthur Senra, da animação “Dinheiro”. O encontro contou ainda com a participação especial de Carolina de Moura, defensora dos Direitos Humanos e da Natureza e do Movimento pela preservação da Serra do Gandarela (MG). A mediação foi da curadora Paula Kimo.

A conversa iniciou com a mediadora parabenizando todas as produções por serem tão potentes, verdadeiros instrumentos de luta e enfrentamento aos poderes que nos esmagam e nos aniquilam todos os dias. “A ideia desse encontro é justamente pensar como a memória, o registro e a imagem nos servem como contrapoder”, explicou. Em seguida, Paula abriu o espaço para que todos os diretores presentes pudessem falar do processo de produção de seus filmes.

Em seguida, a convidada Carolina de Moura colocou na pauta da discussão temas urgentes e necessários, lembrando da ativista ambiental Berta Cáceres, que foi assassinada em Honduras, em 2016, e que dizia: “Vocês têm a bala, nós temos a palavra. A bala morre quando é detonada, a palavra vive ao ser replicada”. A partir dessa mensagem, que emocionou a todos, a defensora falou do momento difícil pelo qual o país vem atravessando, do silenciamento forte em relação ao desmatamento da natureza, da insegurança hídrica e, sobretudo, da mineração. “Acho muito propício termos essa aliança com a arte e a cultura. De seguir nesse caminho de defender a natureza e as pessoas, contrapondo aos projetos de mineração, de morte. Porque a mineração não mata só quando rompe barragem, ela mata todos os dias, aquela lama, gota a gota, que coloca trabalhadores em situações horríveis, deixa cidades na pobreza, destrói aquíferos e a nossa possibilidade de manter a vida. Por isso é necessário que todo mundo se mobilize, artistas da cultura popular, das ruas, da periferia, do cinema, do teatro. Todos levantando esse debate para que nossa palavra se replique e fique viva sempre”, frisou.

Eduardo DW, diretor de “Cidade Analógica”, reforçou a importância da arte e do audiovisual de eternizar e trazer essas discussões para a esfera pública. “Essa ideia de que a palavra pode ser um mecanismo de luta é bem significativa. Estamos sempre juntos com os movimentos, inclusive fizemos uma videopoesia falando das águas, dos rios invisíveis de Belo Horizonte. Essa é uma discussão muito ampla e precisa ser disseminada”. Parceiro de DW na direção de “Cidade Analógica”, Álvaro Starling disse que a frase mais emblemática que ficou para ele e que resume toda a discussão é: ‘Não é o que somos, mas como somos tratados’. “Teoricamente somos todos iguais, mas como somos tratados politicamente e economicamente? A gente vai aceitando as coisas até chegar a uma mostra como essa ‘A Cidade em Movimento’ que nós dá voz”, ponderou.

Pedro Gonçalves Ribeiro, diretor de “O resto”, acrescentou que é preciso lutar contra todos os absurdos que estamos vivendo, mas lembrando sempre de olhar para nossa história. “Meu maior medo é o esquecimento. Temos muito que aprender com o nosso passado. Para seguir em frente é preciso ter um olhar para trás senão estamos perdidos. E já estamos vendo o resultado disso em nossas vidas”, sublinhou.

O cineasta Antônio Beirão, de “Opção do Tomo”, enfatizou que os povos indígenas, nas suas várias observações sobre o modo de ser branco, urbano, falam muito sobre a falta de escuta, a expressão que vem sempre de uma papo embaralhado e mentiroso, e o esquecimento. “Acho muito bonito como o festival está trazendo a questão da palavra e da poesia de rua. Eu sempre fico muito impactado com isso, principalmente nesse momento que a palavra anda tão banalizada. Espero que todos os filmes consigam circular nas escolas, cinemas, empresas, universidades, que isso reverbere”.

Ao final da Roda de Conversa, o diretor do documentário “O vazio que atravessa”, Fernando Moreira, agradeceu pela oportunidade de ter ouvido o discurso da defensora Carolina de Moura e pela troca de experiências. E ressaltou: “a partir da perspectiva que a opressão é um fio condutor de todos os nossos filmes, é importante ter cada vez mais vozes. Porque o que vemos aqui é um sinal da sociedade, a opressão afeta a todos nós, mas principalmente as pessoas da periferia, as pessoas negras. Que nossas vozes possam ter mais representatividade. Deixo aqui também a minha homenagem as vítimas de toda essa tragédia da mineração. Quem sabe em um futuro não tão distante a gente não precise de fazer esses tipos de filmes”.

Para finalizar, o cineasta Arthur Senra, da animação “Dinheiro”, afirmou que hoje vivemos em um nível escancarado de desvalorização do outro e da vida. “Esse distanciamento social me fez pensar muito nesse tipo de relação comunitária e coletiva. Em como a cidade vai quase que fortalecendo a ideia de que o ser humano pode viver de uma forma individualista”.

SOBRE A MOSTRA CINEBH

Com edições anuais e consecutivas, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 15a edição de 28 de setembro a 03 de outubro de 2021, em formato online e gratuita, reafirmando seu propósito de mostrar o cinema para o mundo, promover o diálogo entre as culturas, aproximar povos e continentes, fazer a conexão do cinema brasileiro com o mercado audiovisual, realizar encontros de negócios, investir na formação, intercâmbio e cooperação internacional, construir pontes nas escolas, comunidades, redes sociais e com a cidade de Belo Horizonte e Minas Gerais.

A 15a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 12o Brasil CineMundiintegram o Cinema sem Fronteiras 2021 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

SERVIÇO

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE EVENTO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE

PATROCÍNIO: MATER DEI, COPASA, CEMIG | GOVERNO DE MINAS GERAIS

PATROCÍNIO MOSTRA A CIDADE EM MOVIMENTO: patrocinada com recursos do Fundo Internacional de Ajuda para Organizações de Cultura e Educação 2021 do Ministério das Relações Exteriores da República Federal da Alemanha, do Goethe-Institut e de outros parceiros: www.goethe.de/hilfsfonds

PARCERIA CULTURAL: SESC EM MINAS, INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL, CASA DA MOSTRA

PARCEIROS BRASIL CINEMUNDI: EMBAIXADA DA FRANÇA NO BRASIL, DOT, MISTIKA, PARATI FILMS, CTAV, FORTE FILMES, NAYMOVIE

COOPERAÇÃO BRASIL CINEMUNDI: WORLD CINEMA FUND(Alemanha), NUEVAS MIRADAS – EICTV(Cuba), BIOBIOCINE(Chile), CONECTA – CHILE DOC(Chile),  MAFF(Espanha), DOCSP(Brasil), DOCMONTEVIDEO (Uruguai), VENTANA SUR(Argentina), INSTITUTO OLGA RABINOVICH / PROJETO PARADISO(Brasil)

APOIO: CAFÉ 3 CORAÇÕES.

REALIZAÇÃO: UNIVERSO PRODUÇÃOSECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA | MINISTÉRIO DO TURISMO| GOVERNO FEDERAL