VISTO COMO “PROCESSO CIVILIZACIONAL”, GENOCÍDIO INDÍGENA NO MATO GROSSO FOI REGISTRADO EM IMAGENS INVESTIGADAS POR PAULO TAVARES

Destaque desse ano na 15ª CineBH, o coletivo Forensic Architecture tem entre seus projetos um documentário fundamental para o entendimento sobre o genocídio de povos indígenas no Brasil. Em debate na manhã dessa sexta-feira (1/10), o arquiteto Paulo Tavares conversou com o curador Pedro Butcher sobre o processo de realização de “Memória da Terra”, do qual Tavares exibiu 20 minutos para dar ideia ao público desse trabalho.

O princípio de “Memória da Terra” segue a ideia, desenvolvida em todas as realizações do Forensic, de pensar o estatuto da imagem como evidência e inseri-lo dentro de um processo político no qual a própria investigação em torno dessas imagens tem participação direta no que está sendo evidenciado. Especificamente no caso de “Memória da Terra”, o projeto surgiu de um contato do Ministério Público Federal após o relatório da Comissão Nacional da Verdade, em 2014. “Um dos grandes achados da Comissão foi mostrar como o regime militar agiu contra os povos indígenas e como eles foram vítimas políticas da violência do Estado”, disse Paulo Tavares.

Revisitando a etnografia sobre o povo Xavante de Marãiwatsédé, no Mato Grosso, registrando e discutindo sua diáspora em razão do choque do grupo indígena com políticas de desterritorialização de terras, o Forensic saiu em busca de algum tipo de materialidade e vestígios arqueológicos de onde os xavantes viviam, com objetivo de provar a posse do território reivindicado pelo Estado. “Durante a investigação, percebemos que toda a campanha de pacificação desse povo indígena que havia sido documentada através de fotografias, documentários e fotojornalismo, hoje pertencente ao Museu do Índio, registrou um crime contra a humanidade”, frisou Paulo Tavares.

A questão é que, originalmente, as imagens captadas nesse processo (mostrando assentamentos indígenas removidos violentamente) foram feitas com intuito de registrar o que se pensava como “um processo civilizacional da modernização brasileira”. “Fizemos essa arqueologia das imagens destrinchando esses registros, tirando-os do documentário mais tradicional e interpretando-os como evidência de um processo genocida em que a imagem participou como um dos principais instrumentos”.

Para Paulo Tavares, nomes importantes do documentário etnográfico brasileiro, como Jean Mazon e José Medeiros, construíram um imaginário audiovisual acreditando na ideia da modernização. “Eram os pioneiros da antropologia audiovisual brasileira, personagens importantes no fotojornalismo modernista que fizeram essas imagens como um processo civilizacional, mas ao nos depararmos hoje com elas, identificamos ser, de fato, um processo de colonização e violência”.

Conheça alguns trabalhos do Forensic Architecture até o dia 3/10 clicando aqui.

SOBRE A MOSTRA CINEBH

Com edições anuais e consecutivas, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 15a edição de 28 de setembro a 03 de outubro de 2021, em formato online e gratuita, reafirmando seu propósito de mostrar o cinema para o mundo, promover o diálogo entre as culturas, aproximar povos e continentes, fazer a conexão do cinema brasileiro com o mercado audiovisual, realizar encontros de negócios, investir na formação, intercâmbio e cooperação internacional, construir pontes nas escolas, comunidades, redes sociais e com a cidade de Belo Horizonte e Minas Gerais.

A 15a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 12o Brasil CineMundiintegram o Cinema sem Fronteiras 2021 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

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