A PRESENÇA DA ALEMANHA NA 14ª CINEBH E NO 11º BRASIL CINEMUNDI

Parceria com Goethe Institute traz à mostra sessões de filmes com comentários de especialistas, masterclasses, painéis e convidados da indústria audiovisual alemã

No ano em que “O Gabinete do Dr Caligari”, maior clássico do cinema alemão, completa 100 anos de seu lançamento, a presença do país europeu em inúmeras atividades culturais no mundo todo se amplificou em 2020. A 14ª CineBH – Mostra de Cinema de Belo Horizonte e o 11º Brasil CineMundi estão nesse circuito e contam com o apoio do Goethe Institute em várias de suas ações. O evento, que acontece entre 29 de outubro e 2 de novembro, tem filmes, masterclasses e sessões comentadas a partir da parceria firmada com o Goethe. Há um farto material e infinitas possibilidades de trazer exemplos do cinema e do audiovisual alemão para enriquecer a proposta temática dessa edição, que é justamente refletir sobre o hibridismo de linguagens e de mídias, acentuado na época da pandemia.

A começar pela mostra Diálogos Históricos, uma das seções mais aguardadas anualmente pelos espectadores da CineBH e cujo objetivo é apresentar obras importantes na história do cinema de forma contextualizada e aprofundada. As exibições contam sempre com a introdução de um crítico ou pesquisador e é seguida por comentários do convidado detalhado contexto e análise da obra. 

Com a parceria do Goethe e curadoria do crítico Pedro Butcher, a Diálogos Históricos em 2020 conta com três produções de diferentes épocas do cinema alemão. Os títulos e comentadores são: “Kuhle Wampe, ou Quem é o Dono do Mundo” (1932), dirigido por Slatan Dudow e com roteiro do dramaturgo e teórico Bertold Brecht, que será debatido pelo pesquisador Eugênio Lima; “Viver na RFA” (1990), de Harun Farocki, a ser comentado pelo crítico e pesquisador Hermano Callou; e “Não-reconciliados, ou Só a Violência Ajuda onde a Violência Reina” (1965), de Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, com comentários da pesquisadora Dalila Camargo Martins.

Outra ação da CineBH é a presença de Welket Bungué, com filmes e uma masterclass. Bungué nasceu em Guiné-Bissau em 1988, morou em Portugal, no Brasil (onde fez pós-graduação em performance na Uni-Rio, entre 2012 e 2013) e na Alemanha, com passagens por Cabo Verde e outros países. Em fevereiro desse ano, ele apareceu na imensa tela do Berlinale Palast, sede do Festival de Berlim, como ator principal do longa-metragem “Berlin Alexanderplatz”, de Burhan Qurbani, nova versão do romance de Alfred Döblin (adaptado por Rainer Werner Fassbinder como minissérie de TV em 1980). Meses depois, com a pandemia instalada no mundo, uma série de trabalhos realizados por ele foi apresentada pela sessão Cine África, cineclube coordenado por Camila de Souza Esteves, Jusciele Conceição Almeida de Oliveira e Morgana Gama de Limaque, em plataforma on line. 

Os curtas de Bungué, dos mais diferentes estilos e formatos, são exemplos de uma obra audiovisual em que realização e performance se tornam aspectos indissociáveis e guardam em comum um sentido de urgência que precisa de uma força performática para se materializar na tela. Para completar, o próprio  Welket Bungué fará uma masterclass na programação do Brasil CineMundi, intitulada “Corpo em transe, linguagens em trânsito”

Também dentro da programação do Brasil CineMundi, acontecem duas atividades de encontro. Uma é o painel com a dupla de cineastas Tamara Trampe e Johann Feindt, debatendo seus processos criativos e as experiências com a TV alemã e a produção de documentários de forte concepção visual, vivências emocionais de infâncias e memórias da guerra. O outro encontro é a masterclass com Isona Admetlla, coordenadora de fundos do World Cinema Fund. Ela vai abordar questões sobre como lidar como produtor ou diretor diante da busca por visibilidade a um projeto ou filme pronto, ainda nas filmagens ou na finalização. Admetlla pretende explicar a importante função do “audience design” e suas metodologias de marketing e distribuição.

O Brasil CineMundi conta ainda com as presenças alemãs de Meike Martens, produtora do Blinker Filmproduktion; Sonia Otto, produtora do Indi Film; Georg Gruber, agente de vendas da Magnetfilm; e Thomas Kaske, produtor da Kaske Film. Todos estarão em contato com realizadores brasileiros no intuito de darem orientações e informações sobre coprodução e presença do país no mercado mundial audiovisual. 

PROGRAMAÇÃO DA ALEMANHA NA CINEBH E BRASIL CINEMUNDI

CONFIRA EM WWW.CINEBH.COM.BR  

MOSTRA DIÁLOGOS HISTÓRICOS – CINEMA ALEMÃO EM TRÊS MOMENTOS

1. KUHLE WAMPE OU: QUEM É O DONO DO MUNDO?, de Slatan Dudow

Durante a Grande Depressão em Berlim nos anos 1930, às vésperas da ascenção do nazismo, uma família é expulsa de seu apartamento e, sem opção, é obrigada a se mudar para o campo de férias Kuhle Wampe, que se transformou em acampamento de sem-teto. Marco do cinema político-social com roteiro de Bertolt Brecht.

Sessão comentada por Eugênio Lima:
É DJ, ator-MC, pesquisador da cultura afro-diásporica, diretor do Coletivo Legítima Defesa e membro fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e da Frente 3 de Fevereiro. É diretor do espetáculo Black Brecht – E se Brecht fosse negro. Vencedor do Prêmio Coca Cola/FENSA 2004 de Melhor Música pela peça “Acordei que Sonhava”, do Prêmio Shell em 2006 de Melhor Música por “Frátria Amada Brasil – Pequeno Compêndio de Lendas Urbanas” e  do  Prêmio Governador do Estado 2014, com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, por “Antígona Recortada – Contos Que Cantam Sobre Pousos Pássaros.

2. VIVER NA RFA, de Harun Farocki
Um documentário de gênero sobre a Alemanha em 1990, no qual as pessoas reais assumem os papéis de si mesmas. Seja em uma aula de como se portar no parto ou numa base de treinamento militar, em todo lugar se vê o esforço incessante de estar preparado para uma emergência “real”, o filme explora a ideia de que nada é feito no país sem cuidadosa preparação. Um retrato de uma sociedade em que parir, morrer, chorar, matar e cuidar de necessitados são atos ensinados e aprendidos em instituições estatais ou privadas.

Sessão comentada por Hermano Callou:

É pesquisador, professor doutor de Comunicação na UFRJ e crítico de cinema na Revista Cinética. Em 2012, foi curador da mostra Harun Farocki: Diante das Imagens do Mundo na Cinemateca da MAM – RJ, ao lado de Ícaro Vidal.

3. OS NÃO RECONCILIADOS OU SÓ A VIOLÊNCIA AJUDA ONDE A VIOLÊNCIA REINA, de Jean Marie Straub e Danielle Huillet

Enquanto os diretores brincam com as cronologias do romance de Heinrich Böll, movendo-se entre a autocracia kaiser de 1910 e o milagre econômico Adenauer dos anos 50, eles mapeiam as origens e o legado do nazismo e as exigências morais de obediência e sacrifício dentro da família burguesa alemã.

Sessão comentada por Dalila Martins:

Bacharel em Audiovisual e Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP, onde atualmente desenvolve tese de doutorado sobre o realismo negativo de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub. Participa do grupo de pesquisa História da Experimentação no Cinema e na Crítica (CNPq). Ex-redatora da Revista Cinética e colaboradora do periódico La Furia Umana e da Revista CULT, tendo publicado também em diversos catálogos. Programou as mostras Breve Historia de la Experimentación Audiovisual Brasileña, Western: Diálogo com os Mortos, 15ª Mostra ABD Cine Goiás e integrou a equipe curatorial do IV Fronteira Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental. Já ministrou cursos e palestras em lugares como IBRACO, Biblioteca Roberto Santos, Escola da Cidade, MAM-SP, Instituto Tomie Ohtake, Companhia Kiwi de Teatro, Centro de Pesquisa e Formação do SESC e cineclubes. Expôs também alguns trabalhos em vídeo, dentre eles NU (2011), em coautoria com Carlos Fajardo.

MOSTRA  ESPECIAL DE CURTAS  – WELKET BUNGUÉ 

FILMES EM EXIBIÇÃO:

Mensagem

Drama, Doc-Experimental, Cor, Sem Diálogos, Português, 7′  Digital – Brasil, 2016

Intervenção Jah

Drama Experimental, Filme-Dança, Cor, Sem Diálogos, Português, 15′ Digital – Brasil, Guiné-Bissau 2019

É Bom Te Conhecer / N’sumande Tchalih Hudi

Drama, Épico Narrativo-Experimental, Cor, Português, Kriol, 12′ Digital – Brasil, Guiné-Bissau 2019

Eu Não Sou Pilatus

Drama, Doc-Experimental, Cor, Português, 11′  Digital – Portugal, 2019

Corre Quem Pode, Dança Quem Aguenta

Drama, Filme-Dança, Cor, Português, 8′ Digital – Brasil, 2019

Buôn

Drama-Experimental, Cor, Português, Kriol, 10′ Digital – Portugal, Guiné-Bissau 2015

MASTERCLASS com Welket Bungué

Mediação: curador CineBH e colaborador Brasil CineMundi | RJ

CORPO EM TRANSE, LINGUAGENS EM TRÂNSITO

01/11 | DOMINGO | 15H

Welket Bungué é um ator e realizador de Guiné Bissau, atualmente radicado na Alemanha, em Berlim. Tem uma longa carreira teatral e mais recentemente vem se dedicando à realização de curtas-metragens. Welket é também ator de vários filmes, sendo inclusive o protagonista da nova versão contemporânea de “Berlin Alexanderplatz”, exibida na competição do Festival de Berlim desse ano. Os curtas de Welket refletem sobre a diáspora africana e fazem uso da performance, do teatro e da poesia em busca de uma linguagem que rompa com as ferramentas coloniais, trazendo uma reflexão fundamental para a proposta da CineBH desse ano.

PAINEL – CONVERSA COM OS CINEASTAS TAMARA TRAMPE E JOHANN FEINDT

Mediação: Gudula Meinzolt – colaboradora Brasil CineMundi | Suiça

31/10 | SÁBADO | 11H

Tamara Trampe trabalha como diretora, dramaturga e autora. Lecionou em várias academias de cinema, incluindo a Academia Alemã de Cinema e Televisão em Berlim, a Academia de Cinema e Televisão em Potsdam-Babelsberg e a Academia de Cinema da Renânia do Norte-Vestfália. Ela é co-diretora de documentários premiados e notáveis, incluindo: Wiegenlieder, Weiße Raben-Alptraum Tschetschenien e Der schwarze Kasten. Seu cinema documentário é poético, caracterizado por uma forte concepção visual, diálogos profundos com os protagonistas, vivências emocionais da infância, memórias e guerra.

MASTERCLASS COM ISONA ADMETLLA – COORDENADORA DE FUNDOS WORLD CINEMA FUND ALEMANHA

Mediação: Paulo de Carvalho – colaborador Brasil CineMundi | Brasil/Alemanha

AUDIENCE DESIGN (Atividade com acesso exclusivo para os projetos do Brasil CineMundi)

30/10 | SEXTA | 11H

Os filmes são escritos, financiados, produzidos, filmados e pós-produzidos. Antes de se tornarem filmes, os projetos participam de mercados de co-produção. E um dia eles podem ser convidados por um ou até vários festivais e, então, encontrar um público pela primeira vez.

Como lidar como produtor e / ou diretor  com o maior desafio da produção, principalmente nos dias de hoje: a visibilidade de um filme? O confronto com o futuro público de um filme deve começar muito cedo. Durante ou mesmo antes das filmagens ou finalização de um filme, o Audience Design deve fazer parte do contexto da produção.

Este painel vai abordar a metodologia e uma descrição do incrível potencial que o Audience Design tem, ampliando a abordagem clássica de marketing e distribuição.

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ATENÇÃO:

Como o formato do evento é digital, convidamos você para seguir a Universo Produção/CineBH/Brasil CineMundi nas redes sociais para ficar por dentro de tudo o que vai acontecer nos bastidores da CineBH e Brasil CineMundi, acompanhar a evolução e notícias dos eventos e receber conteúdos exclusivos. Canais e endereços:

Acompanhe o programa Cinema Sem Fronteiras 2020

Participe da Campanha #EufaçoaMostra

Na Web: www.brasilcinemundi.com.br / www.cinebh.com.br / www.universoproducao.com.br

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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

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SERVIÇO

14ª CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE 

BRASIL CINEMUNDI – 11th INTERNATIONAL COPRODUCTION MEETING 

29 de outubro a 2 de novembro de 2020

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

PATROCÍNIO: COPASA, CEMIG | GOVERNO DE MINAS GERAIS

PARCERIA CULTURAL: SESC EM MINAS, GOETHE-INSTITUT, CASA DA MOSTRA

PARCEIROS BRASIL CINEMUNDI: EMBAIXADA DA FRANÇA NO BRASIL, INSTITUTO FRANCÊS BRASIL PARA O ESTADO DE MINAS GERAIS DOT, MISTIKA, PARATI FILMS, CTAV E ATELIÊ BUCARESTE

COOPERAÇÃO BRASIL CINEMUNDI: WORLD CINEMA FUND (Alemanha), NUEVAS MIRADAS-EICTV (Cuba), BIOBIOCINE (Chile), CONECTA-CHILE DOC (Chile), MAFF (Espanha), DOCSP (Brasil), DOCMONTEVIDEO (Uruguai), VENTANA SUR (Argentina), INSTITUTO OLGA RABINOVICH/PROJETO PARADISO (Brasil)

APOIO: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL E CAFÉ 3 CORAÇÕES.

IDEALIZAÇÃO E REALIZAÇÃO:UNIVERSO PRODUÇÃO

SECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA | MINISTÉRIO DO TURISMO | GOVERNO FEDERAL