ABERTURA DA 14ª CINEBH DISCUTIU OS IMPASSES CRIATIVOS NA PANDEMIA E CELEBROU A HORIZONTALIDADE DAS ARTES

Ainda em meio a uma pandemia que insiste em não acabar, a 14ª CineBH – Mostra de Cinema de Belo Horizonte iniciou na noite de quinta-feira, dia 29, em transmissão on line, com a mensagem de que a conexão entre as pessoas e a arte ainda se mantém como uma resistência da presença. A temática geral “Arte Viva: Redes em Expansão” foi apresentada numa performance audiovisual que contou com diversas participações especiais, como o poeta Ricardo Aleixo, a cantora Nath Rodrigues e o instrumentista Marcelo Dai. Também foi celebrado o destaque desse ano, o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, formado em março por artistas cênicos de várias regiões do Brasil para desenvolver encenações e performances por plataformas digitais.

Foi sobre isso o debate realizado logo em seguida, no qual Juracy de Oliveira, criador e coordenador do Pandêmica, exaltou o diálogo entre as artes promovido pela CineBH. “O convite que recebemos para esse destaque nos fez, pela primeira vez, nós olharmos um pouco de fora para nós mesmos, entendendo esse olhar carinho e atento que recebemos. Ressalto a porosidade desse festival e desse momento que estamos vivendo aqui hoje”, disse Juracy. “Estamos descobrindo agora que palavras como encontro e afeto são muito maiores do que a gente imaginava”. 

Em relação ao Pandêmica, Juracy de Oliveira disse que as palavras-chave da agremiação de artistas são “temporário” e “coletivo”. “A cada vez que a gente fala ‘temporário’ nós somos lembrados de que essa situação em que estamos vai acabar, e ‘coletivo’ porque nos formamos a partir de muito afeto”, contou o diretor. 

A pesquisadora de artes cênicas Luciana Romagnolli apontou o quanto os dispositivos de transmissão on line ainda são formas de experienciar a presença em meio ao distanciamento social, mas que eles não devem ser naturalizados como se o clique substituísse o toque. “No teatro presencial, a pressão de um corpo sobre o outro é uma espécie de ameaça, e às vezes ela se concretiza. O cinema tem as imagens que voltam da tela, pois o corpo não está mais lá”, diferenciou ela. 

Em sua fala, a pesquisadora apontou que o momento agora é da digitalização das artes presenciais que ainda mantém o “gosto pelo ao vivo”, o risco do que acontece na simultaneidade. “Aquilo que já vivemos fora do campo artístico cotidianamente, com a onipresença dos dispositivos móveis e das mídias sociais na vida e no trabalho, agora se impõe na situação em que estamos. O que vemos é mais do que uma aproximação entre teatro e cinema: é a interferência estética dos meios eletrônicos nos trabalhos”. 

Com filmes em exibição na CineBH, Germano Melo e Grace Passô, artistas de trajetórias bem-sucedidas nos palcos, estiveram no debate representando filmes que realizaram no período da pandemia. Grace, diretora do curta-metragem “República”, disse que a arte é “um fenômeno de linguagem e é a capacidade de mobilizar pessoas e criar comunidades”. Diante de um momento de distanciamento, ela reforçou a importância dessas “aglomerações” criativas da maneira como são possíveis. “A gente cria comunidades quando inventa alguma coisa, quando inventa uma gramática do sensível”. 

Por sua vez, Germano Melo, codiretor de “Coisas Úteis e Agradáveis” com Ricardo Alves Jr, relembrou que sua performance original, feita no teatro a partir de texto de Voltaire, ganhou uma triste atualização de 2016 adiante, em especial no atual governo federal e seu viés conservador. Diante das limitações provocadas pela pandemia, ele e Ricardo decidiram transfigurar o trabalho para uma versão em cinema, tentando reproduzir alguns dos efeitos que ele sentia do teatro. “O processo de criação, o ensaio, a vulnerabilidade de estar diante da câmera, um corpo teatral que se apresenta de coração frio”, descreveu Germano sobre a decisão de fazerem o curta sem alguma necessidade programática.

Germano celebrou a horizontalidade das redes que permite a novas obras surgirem a partir de recursos mínimos, mas alertou sobre a responsabilidade do que se está colocando no mundo. “Sempre me faço essa pergunta: você é responsável por aquilo que você publica? Ou pelo que replica? Tudo é política. Essas ideias de imersão, crítica e contundência na criação é o que me movimenta nesse momento”, afirmou. 

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