DE GUINÉ-BISSAU PARA AS TELAS EM DEBATE NA 14ª CINEBH

A programação da 14ª CineBH e 11º Brasil CineMundi promove, em parceria com o Goethe-Institut, neste domingo, dia 1º de novembro, às 15 horas, a Masterclass Internacional “Corpo em Transe, Linguagens em Trânsito” com Welket Bungué. Ator e realizador de Guiné Bissau, atualmente residindo em Berlim/Alemanha, Bungué tem uma longa carreira teatral e, mais recentemente, vem se dedicando à realização de curtas-metragens. 

Ator de vários filmes, ele é o protagonista da nova versão contemporânea de “Berlin Alexanderplatz”, exibida na competição do Festival de Berlim desse ano. Os curtas de Welket refletem sobre a diáspora africana e fazem uso da performance, do teatro e da poesia em busca de uma linguagem que rompa com as ferramentas coloniais, trazendo uma reflexão fundamental para a proposta da CineBH desse ano. A mediação será de Pedro Butcher – curador da 14a CineBH e colaborador Brasil CineMundi |RJ.

Até o dia 02 de novembro, o público terá a oportunidade de conferir também a Mostra Welket Bungué, com uma seleção de seis filmes, realizados entre 2015 e 2019, que tenta dar conta dessa capacidade múltipla, em que realização e performance se tornam aspectos indissociáveis, que dialoga com a proposta da 14a CineBH de lançar alguma luz para trabalhos que buscam nas ferramentas da linguagem audiovisual uma potencialização da performance e do “ao vivo”. Apesar de muito diferentes entre si, as obras guardam em comum um sentido de urgência que precisa de uma força performática para se materializar na tela.

Sinopse dos filmes

“Buôn” – Direção: Miguel Munhá

Drama-documentário – Coprodução Portugal, Guiné-Bissau (2015)

Exposição de pensamento, desejo de viajar e conhecer um mundo para além das paredes de uma cidade que nos encerra social, mental, física, psíquica, política e individualmente nos seus projetos, recantos e arquiteturas.

“Corre Quem Pode, Dança Quem Aguenta” – Direção: Welket Bungué

Ficção – Brasil (2019)

Um jovem performer sai ileso de uma manifestação pública agressiva contra o aumento do preço da passagem de ônibus no Rio, e no dia seguinte é entrevistado por outro artista que pretende contar a sua história aos ouvintes da sua rádio. Auris, como muitos afro-brasileiros, poderia ser um corpo ausente, camuflado na estatística dos jovens apagados pela violência imposta pelas classes ou pelas estruturas desigualitárias, operando em nome do serviço público, só que não, seu corpo está presente.

“É bom te conhecer / N’sumande tchalih hudi” – Direção: Welket Bungué

Experimental – Coprodução Brasil, Guiné-Bissau (2019)

Abó dançou muito para que fôssemos criados e que os nomes das coisas tivessem um valor essencial. E mesmo que fossem usurpados, dominados, destruídos, trocados, nada poderia tirar-lhes o seu valor. Porque tudo havia sido fruto de um sonho que noutro tempo e lugar desconhecidos havia viajado até aos sentidos de Abó, e depois até todos os seres nomeados para que pudessem ter valor pela sua natureza e não por aquilo que pudessem significar para os outros.

“Eu não sou Pilatus” – Direção: Welket Bungué

Experimental – Portugal (2019)

Para nós entende-se perfeitamente. Esse é o Estado em que nos tornamos. No entanto queremos que os direitos civis sejam respeitados, mas continuamos a manifestar uma espécie de sentimento pelo outro, aparentemente inusitado e distante, um racismo endêmico, purgante e distanciador.

“Intervenção Jah” – Direção: Daniel Santos

Experimental – Coprodução Brasil, Guiné-Bissau (2019)

O filme visa a uma caminhada simbólica até a exaustão. A intervenção propõe o aquecimento preliminar que antecede um combate de titãs num ringue de boxe. A intervenção consiste no movimento do performer intuindo a queda repentina, quando afetado por perfurações por balas de armas semiautomáticas. Segundo os resultados divulgados em 2017, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as pessoas negras no Brasil ainda representam mais de metade da população do país. Entre 2005 e 2015 o número de pessoas negras assassinadas aumentou 18% e isso nos tornou também a maior parte das vítimas de homicídio, tendo correspondido a 71% do total de corpos registrados. 

“Mensagem” – Direção: Welket Bungué

Experimental – Brasil | 2016

Videoarte documental que atua segundo aspetos da atualidade brasileira. Welket Bungué coloca-se no lugar do sujeito autorrepresentado, serve-se da ação simbólica para falar do caso da cidadã Cláudia da Silva Ferreira, moradora da comunidade/ favela de Congonhas, na zona Norte do Rio de Janeiro, que foi mortalmente baleada por PMs na manhã de 16 de março de 2014. Em crítica à desinformação, perversidade e alienação como resultado da incoerência dos meios de comunicação hoje, Mensagem é um evocativo sensível sobre a desumanização e o isolamento perverso de que as comunidades periféricas e os seus moradores estão sendo vítimas.

Sobre Welket Bungué

Ator e realizador guineense-português, de etnia balanta, nasceu em Xitole (Guiné-Bissau) em 7 de fevereiro de 1988. Filho de emigrantes, Welket iniciou a sua formação artística em 2005. É licenciado em Teatro no ramo de Atores (ESTC/Lisboa) e pós-graduado em Performance (Unirio/RJ). É membro permanente da Academia Portuguesa de Cinema desde 2015 e membro da Deutsche Filmakademie desde 2020. 

Em 2019, produziu mais de seis curtas-metragens, tais como “Intervenção Jah”; “É Bom te Conhecer” e “Corre quem Pode, Dança quem Aguenta”. Seus filmes têm circulado internacionalmente por inúmeros festivais de cinema, como o Africlap (França), Zanzibar International Film Festival, Afrikamera (Berlim), IndieLisboa, DocLisboa e Stockholm Dansfilmfestival. 

Welket Bungué integrou o elenco de “Joaquim” (Berlinale), de Marcelo Gomes; “Corpo Elétrico” (IFFR), de Marcelo Caetano; “Kaminey”, de Vishaal Bahardwaj; “Cartas da Guerra” (Berlinale), de Ivo M. Ferreira; e protagoniza Berlin Alexanderplatz (Berlinale), o novo filme do realizador afegão-alemão Burhan Qurbani. Atualmente vive em Berlim.

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