EM DEBATE, ARTISTAS E CRÍTICOS RELACIONAM PRODUÇÃO E REFLEXÕES DAS ARTES CÊNICAS AO CONTEXTO PANDÊMICO EM QUE A PERCEPÇÃO AUDIOVISUAL PROLIFEROU

Na segunda parte da discussão “As telas em transe na pandemia”, a curadora convidada da 14a CineBH, a pesquisadora e crítica de artes cênicas Daniele Ávila Small mediou uma conversa sobre como produções das artes presenciais lidaram com o fechamento dos espaços culturais e se concentraram no formato audiovisual para seguirem se expressando. A contingência de uma pandemia gerou a proliferação de apresentações on line, motivando a temática mostra esse ano, “Arte Viva: Redes em Expansão”. Na mesa da tarde de segunda-feira (2/11), estiveram presentes a performer Laís Machado, o ator e dramaturgo Maurício Lima e o pesquisador e crítico Guilherme Diniz

Todos eles, em medidas variadas, apontaram que a pandemia intensificou uma relação que já estava estabelecida entre as artes: o hibridismo de formas e o trânsito entre corpos, projeções, linguagens, uso de espaços e telas. Para Laís Machado, que exibe na CineBH a videoperformance “Canção das Filhas das Águas”, as experimentações vinham como uma praxe nas realizações, porém o que ela percebeu com o impacto da pandemia foi a mobilização de eventos e instituições que passaram a demandar esses trabalhos híbridos. “O momento atual nos obrigou a repensar não só as obras que fazemos, mas todas as relações de produção entre quem cria e quem exibe ou apresenta. Como a gente estabelece essas interações com os meios e as instituições?”, questionou.

A provocação de Laís se relacionou diretamente a uma fala de Maurício Lima, cujo “Museu dos Meninos: Arqueologias do Futuro” teve exibição on line ao vivo na CineBH. Maurício ponderou que não é mais questão de se ficar perguntando se o teatro vai sobreviver à crise atual, ainda mais porque as artes cênicas sempre viveram sob riscos e ameaças. “A pergunta maior agora é como eu, artista, terei condições de me relacionar com o teatro como ofício, como sustento, a partir do que está acontecendo”, disse ele. “A pandemia abriu o precedente de um projeto de desmonte cultural que a gente vive faz muito tempo. Vimos que é possível fazer teatro na pandemia, então como vamos criar métodos que preservem esse teatro e esses artistas?”.

Em sua fala, Guilherme Diniz reforçou que o contexto pandêmico desarticulou hegemonias no campo das artes, ainda que, sendo “uma crise dentro de outra crise”, acentuou desigualdades. “Foi exigido dos artistas o uso de equipamentos e aparatos técnicos que não eram usados como agora nas apresentações e nos espaços”, lembrou ele. Além das questões estruturais apontadas por Guilherme – que são ainda mais fortes quando se pensam órgãos públicos de cultura, sempre às voltas com todo tipo de dificuldade orçamentária -, Laís Machado disse sentir um oportunismo institucional que surge na vulnerabilidade dos deslocamentos, permitindo a inserção de artistas que, apesar de estarem desenvolvendo seus trabalhos tempos antes da pandemia, passaram a ser requisitados com mais frequência justamente agora, com a alta demanda. “Quando tudo isso passar, continuaremos a ser convidados para lives, para mesas, para ações on line?”, perguntou Laís. 

Em relação a seu trabalho em “Canção das Filhas das Águas”, ela contou que a performance, pensada para ser presencial, foi adaptada para o formato de vídeo logo que estourou a pandemia. “Fizemos uma peça musical sensorial que eu não posso controlar de que maneira será vista pelo público”. 

Pela experiência como crítico, Guilherme Diniz contou ter diminuído substancialmente sua produção escrita e amplificado as participações orais em vídeos e podcasts na internet. “Isso acentuou reflexões que eu já vinha tecendo sobre experimentar outras possibilidades e recursos de um diálogo crítico, ao vivo, que não se ancora estritamente no texto, e sim em pensamentos performados diante de e em relação a artistas (e espectadores)”, comentou. “Como pensar uma produção crítica na oralidade, que se desenvolve na conversa e no diálogo em constante mutação?”.

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