20ª CINEBH DISCUTE FUTURO DO CINEMA LATINO NA TEMÁTICA “O QUE SERÁ?” E FAZ HOMENAGEM À CINEASTA PARAGUAIA PAZ ENCINA
Publicado em 25 ago 2026Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte completa duas décadas como referência nas reflexões e exibições da produção latina e celebra diretora de “Hamaca Paraguaya”, marco da produção no continente lançado em 2006; diretora estará no evento e participa de bate-papos
Na celebratória 20ª edição, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte será realizada de 22 a 27 de setembro de 2026 na capital mineira e reafirma o cinema latino-americano como eixo de sua programação, totalmente gratuita. A CineBH vai reunir filmes brasileiros e estrangeiros, encontros, atividades de formação e ações de mercado, no contexto do 17º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting. Serão seis dias de intensas atividades em OITO espaços da cidade, incluindo Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade.
CINEMA LATINO-AMERICANO: O QUE SERÁ?
O tema definido este ano pela curadoria da CineBH é “Cinema Latino-Americano: O que será?”. Num momento de instabilidade política, social e econômica na América Latina, a proposta chama atenção às transformações experimentadas pelo cinema produzido no continente. A ideia parte das incertezas que atravessam a América Latina em 2026 e das consequências que mudanças políticas podem produzir sobre as condições de realização e circulação dos filmes.
Alterações de governo, redução de investimentos públicos, fragilidade das políticas culturais e disputas em torno da regulação do audiovisual interferem diretamente na sustentação das cinematografias nacionais. Isso não significa, porém, estabelecer uma relação automática entre conjuntura política e criação artística, como explica o crítico Cléber Eduardo, coordenador curatorial da mostra. “As escolhas cinematográficas tendem a também ser, em alguma medida, afetadas e estimuladas pelas conjunturas políticas, sociais e econômicas, sem necessariamente serem reflexos e representações diretas destas conjunturas. Nada é tão espelhado assim”, afirma ele, salientando que o cinema latino-americano convive historicamente com uma vulnerabilidade que faz da instabilidade uma de suas condições recorrentes. “Tudo é para hoje. Amanhã, não sabemos”, resume.
A pergunta que dá nome à temática recupera “O que será?”, canção de Chico Buarque que completa 50 anos desde o lançamento. O paralelo de datas permite colocar em perspectiva dois momentos de incerteza no continente. Em 1976, boa parte da América Latina vivia sob ditaduras militares, e a ideia de um Nuevo Cine Latino-Americano ainda alimentava uma compreensão mais unitária, ainda que idealizada, do cinema da região vinculando-a à denúncia política, à ideia de resistência e a um projeto de integração continental. “O que 1976 tem a ver com 2026? Muito e pouco”, sintetiza Cléber Eduardo. “Em comum, as incertezas, o futuro nebuloso, o cinema como expressão de seu tempo e de seu lugar, sem ser sintoma ou mero reflexo”.
Em meio século, a possibilidade de enxergar o cinema latino-americano como um bloco tornou-se mais difícil. A programação latina acompanhada e observada pela CineBH nos últimos anos aponta para cinematografias e autores com proposições individualizadas, ligados a seus territórios e às particularidades de cada sociedade, sem necessariamente compartilhar um programa estético ou político comum. Questões históricas e sociais continuam presentes, mas se
articulam a experiências familiares, afetivas, psicológicas e subjetivas. Imagens de arquivo, procedimentos documentais e poéticos, filmes em primeira pessoa, deslocamentos e migrações, investigações de vestígios do passado e diferentes formas de relação entre memória e território aparecem entre os procedimentos recorrentes.
“O cinema latino-americano com o qual tomamos contato na seleção e na programação da CineBH em 2025 e em 2026 é composto de muitos cinemas diferentes e distintos, todos de alguma forma envolvidos por seus territórios filmados”, observa o curador. “É justamente essa variedade de difícil síntese que compõe um universo latino-americano de filmes e sociedades. Não existe pureza possível, apenas misturas em conflitos”.
HOMENAGEM À CINEASTA PAZ ENCINA
É nessa relação entre memória, história, incerteza e permanências que a homenagem à diretora e roteirista paraguaia Paz Encina se conecta ao tema da 20ª CineBH. Nascida em Assunção em 1971 e formada em direção cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires, Encina desenvolveu, ao longo de duas décadas, uma obra estreitamente ligada à história e às memórias do Paraguai. Ela tratou de maneira recorrente as relações entre passado e presente e entre presença e ausência a partir de articulações muito expressias de imagens, sons e montagens.
A trajetória de Paz, reconhecida internacionalmente a partir de 2006, consolidou-a como uma das realizadoras mais importantes do cinema latino-americano contemporâneo, junto à argentina Lucrecia Martel. Nos filmes de Paz Encina, a memória determina formas narrativas e sensorais, em construções sonoras que frequentemente antecedem, tensionam ou reorganizam aquilo mostrado pela imagem. Questões políticas, econômicas e sociais, muitas ligadas a estados de exceção e de crises no Paraguai, a colocam como uma cronista poética e provocadora de seu país e continente.
A homenagem a Paz Encina se liga aos 20 anos de Hamaca Paraguaya, primeiro longa-metragem dela, lançado em 2006 na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes e vencedor do prêmio da FIPRESCI (Federação Internacional de Jornalistas). Falado em guarani, é centrado em Cândida e Ramón, casal de camponeses idosos à espera que o filho volte da Guerra do Chaco. Em poucos planos fixos e diálogos em off, o filme constrói uma experiência em torno da espera, do silêncio e da perda e representou um momento histórico para a cinematografia do Paraguai: foi o primeiro longa-metragem realizado no país desde 1978.
Além da presença da diretora em Belo Horizonte, onde vai receber o Troféu Horizonte na noite de 22 de setembro, a CineBH vai promover a exibição de três filmes de Paz Encina, dentro na Mostra Diálogos Históricos, seguidos de bate-papos com a realizadora. Estão na programação “Hamaca Paraguaya”; depois “Ejercicios de Memoria” (2016), construído a partir das lembranças dos filhos de Agustín Goiburú, um dos principais opositores da ditadura de Alfredo Stroessner, desaparecido em 1976 enquanto vivia exilado na Argentina; e por fim “Carta a un Viejo Master” (2024), coprodução com Brasil na qual Encina retorna ao universo de “Edifício Master” (2002), de Eduardo Coutinho, para procurar vestígios do cineasta e fazer uma carta cinematográfica para o diretor brasileiro, morto em 2014.
***
A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).
***
SERVIÇO
20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO
22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA
Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE
Patrocínio Master: PETROBRAS
Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE
Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV
Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL
Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO
MINISTÉRIO DA CULTURA
***
Informações pelo telefone: (31) 3282-2366
No Instagram: @universoproducao
No Youtube: Universo Produção
No Twitter: @universoprod
No Facebook: brasilcinemundi/cinebh / universoproducao
No LinkedIn: universo-produção
Site oficial do evento: www.cinebh.com.br