20ª CINEBH CELEBRA CINEMAS LATINO-AMERICANOS E HOMENAGEIA PAZ ENCINA E CONCEIÇÃO EVARISTO

Publicado em 22 set 2026

Mais de mil pessoas estiveram presentes no Cine Theatro Brasil para a Cerimônia de Abertura da  20ª CineBH e do 17º Brasil CineMundi, em noite marcada por performance audiovisual, homenagens e pela pré-estreia do novo longa de André Novais de Oliveira,  “Se eu fosse vivo…vivia”. 

A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting começaram nesta terça-feira, 22 de setembro,  com expectativas e filas dobrando esquinas sob o batuque do grupo Elekuê, em um Cine Theatro Brasil lotado para uma noite de celebração e defesa dos cinemas latino-americanos. A performance MANIFESTA, guiada pela interrogação proposta pela temática deste ano – Cinema latino-americano, o que será? – marcou o início da programação do festival, que pretende se debruçar menos sobre explicações fáceis do que sobre a radicalidade inventiva e indomável dos questionamentos. 

Em seu discurso de abertura, Raquel Hallak reconheceu os diversos encontros que geraram filmes, parcerias e possibilidades nos últimos anos, afirmando o vigor de tudo que foi construído, mas exaltando aquilo que se projeta para o futuro, movido, sobretudo, por perguntas. A questão que norteia a temática do evento, para ela, “não pede uma única resposta. Ela abre espaço para muitas vozes, muitos territórios, muitas experiências e diferentes maneiras de ver e transformar o mundo. O cinema latino-americano nasce dessa pluralidade, é feito de muitas identidades que atravessam fronteiras, e ao mesmo tempo carrega consigo a força de cada lugar”. 

A coordenadora da CineBH destacou, ainda, a importância do cinema braisleiro circular e ser visto nesses diferentes territórios. “O cinema é também trabalho. É uma indústria que movimenta uma extensa rede de profissionais, gera emprego, renda, conhecimento, inovação, atrai investimentos e projeta a imagem do Brasil internacionalmente. Quando um filme brasileiro circula, ele não viaja sozinho. Com ele viajam nossos sotaques, paisagens, modos de viver, contradições e criatividade”. Para ela, nosso cinema deve “ocupar, com identidade e autonomia, as telas do mundo”. Firmando seu compromisso com a defesa das políticas públicas – uma marca do projeto Cinema sem Fronteiras, da Universo Produção -, Raquel ressaltou a necessidade de se criar condições estruturais e contínuas para que nossos filmes encontrem as telas. 

Emocionada, Raquel recordou da convicção com a qual, há 20 anos, a CineBH foi criada: como promessa, hoje concretizada, de um espaço de exibição, reflexão, formação e encontro. “É um evento que nasceu ligado à cidade, e que ao longo de sua trajetória ampliou horizontes, conectou territórios e se consolidou como uma plataforma do cinema brasileiro e latino-americano”. Ela elevou, ainda, a dimensão coletiva dessa construção: “nada disso se faz sozinho. Uma história de 20 anos é construída por muitas mãos, escolhas e presenças, em permanente movimento”. 

Após a entrega das placas de reconhecimento às autoridades presentes e apoiadores do evento – com falas em defesa da soberania e democracia brasileiras de Durval Ângelo, Conselheiro Presidente do Tribunal de Contas do Estado, e Cida Falabella, Secretária Municipal de Cultura  – a cerimônia de abertura seguiu com as homenagens à realizadora paraguaia Paz Encina e à escritora mineira Conceição Evaristo

Encina é uma das mais importantes cineastas da América Latina, forjando uma prática cinematográfica que desafia modos e tempos de produção dominantes, ampliando sonoridades, imagens e imaginários sobre o seu país, de produção historicamente descontínua. Seu primeiro longa-metragem, Hamaca Paraguaya (2006), completa, como a CineBH, duas décadas e se firma como um trabalho fundamental para a retomada de uma cinematografia atravessada por interdições materiais, simbólicas e autoritárias. Encina recebeu o Troféu Horizontes do coordenador curatorial da CineBH, Cleber Eduardo, e da curadora Esther Marçal Fér, que ressaltaram o sonho antigo de trazê-la a Belo Horizonte desde a virada latina do festival, em 2022. “Receber você aqui é mais do que o reconhecimento de uma grande cineasta, é agradecer, gracias, por fazer do Paraguai um lugar que não só vemos na tela, mas que carregamos conosco. Um cinema que nos convida a olhar e sustentar esse olhar;  a escutar as ausências que nos constituem; a lembrar, como diz Maria José Merino, que ‘permanecer e avançar não são movimentos opostos, que podemos habitar o passado sem deixar de imaginar o futuro’”. Em sua fala, Paz Encina escolheu exprimir sua reverência a outros e outras colegas cineastas, evocando, num gesto de humildade e amor, vinte filmes – um para cada ano trilhado pela CineBH (e por ela, em sua carreira) – que mudaram sua vida. Glauber Rocha, Gentino Solanas, Jorge Sanjinés, Maria Luísa Bemberg, Carlos Saguier, Patrício Guzmán, Eduardo Coutinho, Lourdes Portillo, Albertina Carri, João Moreira Salles, Carlos Reygadas, Karin Ainouz, Lucrécia Martel, Tatiana Huezo, Juan Pablo Rabella, Pablo Stoll, Maria Alvárez, Andrés Di Tella, Tomás Gutiérrez Alea, Everardo González e Kiro Russo também foram honrados nesta noite. 

Já Conceição Evaristo, renomada por uma obra literária que abarca romances, contos, poemas e ensaios, expande sua sensibilidade, agora como atriz, em Se eu fosse vivo… vivia, o mais recente longa de André Novais de Oliveira, recém-laureado como Melhor Filme no Festival de Cinema de Brasília. Pelo protagonismo partilhado entre Evaristo e Norberto Novais de Oliveira, o filme também recebeu uma menção honrosa. Ao falar sobre sua primeira e já inarredável experiência neste outro âmbito de criação por uma transmissão remota, já que o mau tempo a impediu de pousar a tempo na capital mineira, Evaristo exprimiu seu desejo para que outras intercorrências não a impeçam de seguir atuando. Agradeceu, com sua presença calorosa, embora longínqua, à sua família, que recebeu o troféu um seu nome, e à equipe do seu filme de estreia, principalmente ao diretor André Novais. “Quando ele me convidou, perguntei se ele sabia o que estava fazendo. Foi uma experiência inusitada, jamais pensei em vivê-la. Vocês me fizeram. É uma nova experiência com Belo Horizonte, pisando nesta cidade de outra forma para contar uma história de amor. Isso me sensibiliza muito, essa escrevivência que André leva para o filme”. Novais, por sua vez, comentou como “foi bonito o jeito que ela aceitou o convite, pois adorava desafios. Isso diz muito dela e do jeito que ela abraçou a equipe, e que a equipe abraçou ela. Foi muito especial”. 

A noite se encerrou com a pré-estreia elétrica e calorosa de Se eu fosse vivo…vivia no território da produtora Filmes de Plástico, cuja trajetória se entrelaça com a do próprio festival. Transitando, com humor e singeleza, entre as delicadezas do cotidiano e as possibilidades políticas do fantástico, o filme atiça sensibilidades e aguça inquietudes, animando o público para uma programação vasta e igualmente vibrante, que promete ecoar, ao longo de seis dias, a força e a autonomia criativa do cinema brasileiro e latino-americano. 

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A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

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SERVIÇO 

20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO 

22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA

Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE 

Patrocínio Master: PETROBRAS

Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE

Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV

Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL

Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CULTURA 

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Produção de textos: Marcelo Miranda, Juliana Gusman  e Luz Comunicação