Entre as subjetividades e as situações concretas

A mostra latino-americana Território foi a única competitiva no Cine BH de 2023 a 2025. Contava com oito títulos. Era para filmes cujas pessoas responsáveis pelas direções estivessem no máximo em seu terceiro longa-metragem.  Esse ano a Território ganhou a companhia da mostra Horizonte, exclusiva para estreantes em longa-metragem, e se abriu para filmes de não estreantes (sem limites). O que se manteve, nessas mudanças, é o espírito de territorialidade, seja de qual natureza for, geográfica, cultural ou subjetiva. Os desertos e o campo predominam no conjunto de seis filmes. Há também uma rua e suas residências, um grupo de teatro e suas idiossincrasias e o território da imagem e da história de um país. Quem dirige os filmes nem sempre reside no país onde nasceu, criando distanciamentos em relação aos territórios originais. Uma chilena no México. Uma cubana na Espanha. Muitos estudaram na Europa em algum momento.

Há ainda camadas variadas de subjetividades menos ou mais fora da intimidade racionalizada, com narrações em primeira pessoa de quem dirige ou reflexões pessoais de pessoas filmadas, sobre si, sobre o país, sobre a arte, sobre muitas coisas. Também há encenações documentais, variações do filme ensaio e muita performatividade com os corpos e nas paisagens. Em todos os casos, sem exceção, há consciência da imagem, de seus efeitos e de suas possibilidades variadas. E essa consciência não resolve tudo, pelo contrário, abre-se para possíveis contradições, para certo nível de formalismo, para mediações mais evidentes.

Cléber Eduardo
Coordenador curatorial