SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENTRE CINEMAS PROMOVE DEBATES SOBRE FORMAS ALTERNATIVAS DE PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DO CINEMA LATINO-AMERICANO 

Publicado em 23 set 2026

O debate inaugural “Cinema latino-americano: o que será?” instigou questões que ressoaram no encontro entre jornalistas e realizadores das mostras Horizonte e Território e na masterclass da homenageada desta edição da CIneBH, Paz Encina

O Seminário Internacional Entre Cinemas – CineBH + CineMundi 2026 teve início na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro, com o debate inaugural Cinema Latino-americano: o que será? Conduzido pela curadora Ester Marçal Fer, o debate partiu da dificuldade de se estabelecer consensos em torno de uma ideia de latinidade, tensionada por identidades culturais e demarcações territoriais diversas. Ademais, em um contexto de profundas transformações políticas, que abalam ainda mais o chão das nossas certezas, a mediadora instigou os integrantes da mesa a refletirem sobre como o cinema age e reage diante das contingências, desafiadoras, do contemporâneo. Apostando na potência radical das indefinições, não se buscou conformar, mas expandir, as possibilidades de entendimento de um corpo fílmico necessariamente heterogêneo.

A crítica de cinema e programadora chilena Marisol Águila, das plataformas Culturizarte, Democracine, El Agente Cine e Sara y Rosa, percorreu filmografias distintas para afirmar a força de modos de produção menores, que conseguem contornar desamparos institucionais cada vez mais agravados com o recrudescimento da extrema-direita no continente. Modos de organização laboral criativos, coletivos e alternativos forjam novas estéticas, tensionam formas consolidadas por perspectivas coloniais e colonizadoras, ao mesmo tempo que expandem imaginários e territórios comuns. 

Para Álvaro Arroba, programador do Bafic, da Quinzeaine des Cinéastes e do Seminci, esses cinemas enfrentam, contudo, o desafio da circulação. A não adesão a uma gramática palatável e reconhecível por um certo cânone estabelecido no Norte Global faz com que estes filmes não atinjam certos circuitos do sistema-cinema, como os grandes festivais europeus que buscam, muitas vezes, “um clichê de país”. Ao mesmo tempo, Arroba alertou para o “risco de se reproduzir padrões de assimilação a partir de um certo amoldamento que acaba sendo reproduzido em labs, escolas e por fundos de mercado”, que, diante das instabilidades econômicas da América Latina, acabam se tornando uma via para possível para a concretização de projetos, talvez de outra maneira inviáveis. 

Neste sentido, Arroba apontou para a possibilidade do exercício de programação como gesto de proposição e legitimação de obras que conseguem desestabilizar lógicas de produção e linguagens cristalizadas nestes circuitos dominantes. Se, como argumenta o coordenador curatorial da CineBH, Cleber Eduardo, “a maior contribuição do cinema latino-americano é se contrapor a ideia de um cinema internacional equilibrado, eficiente, regular no ritmo, na estrutura, na dramaturgia; está justamente em bagunçar formatos que circulam mais”, cabe aos programadores encontrar ferramentas para reconhecer e acolher tais rebeldias.  

Rebelde é o cinema de Clarisa Navas, que desafia a racionalidade neoliberal e  hiperprodutivista vigente com seu monumental O Príncipe de Nanawa, que integra a Mostra Olhares das Argentinas. Para a realizadora, há de se criar condições para seguir fazendo um cinema insubmisso. Ela aposta na força dos encontros e de filmes feitos em bando. Na distribuição, também assinala a importância de “romper com uma lógica colonial que, todavia, permanece”. 

O debate inaugural ecoou no encontro de realizadores das mostras Território e Horizonte com a imprensa. Para Sol Iglesias, diretora de Los nadadores, “há algo na América de sempre termos nossas veias abertas”. A jovem realizadora reivindicou a fantasia e a imaginação como “campo de batalha” e como recursos inestimáveis para se plantar o futuro. “A fantasia é o que nos permite levantar a cabeça, não só a fantasia em questão de ficção ou de gênero, mas de formatos de produção, de construir algo novo quando tudo está em chamas”. Isso implica, ainda, vislumbrar outros espaços de partilha dos filmes: “temos que parar de tentar funcionar como os filmes maiores, há algo de muito importante em trabalhar com o artesanal, em pensar outros centros de circulação”.

Em coro, Rócio Barbenza reforçou a importância dos cinemas de rua, dos cineclubes e de outros circuitos de exibição e de formação de público, muitas vezes invisibilizados. “Há outros lugares que há muita riqueza também, de conversa, de troca, em que formas raras de produzir mundos tem lugares de exibição, formas raras e retorcidas para quebrar esse momento facista em que estamos vivendo”.  Samuel Moreno Alvarez reiterou que, quando esses filmes são programados, o público também compra o risco. 

De certa forma, é no que acredita a homenageada da 20ª CineBH, Paz Encina: “Os filmes que faço não terão muitos espectadores. Eles são mais pretensiosos. Quero que durem no tempo. Que se passem 20 anos, e que ainda se assista a Hamaca Paraguya. Quero que meus filmes estejam no tempo”. Na masterclass que sucedeu a exibição de Exercícios de Memória, Encina reclamou o cultivo da atenção e da presença – algo que conjura com suas imagens e sonoridades táteis – como antídoto à perda do desejo, inclusive do desejo pela memória. Com dois novos projetos – um documental e outro ficcional, o segundo após sua obra de estreia – Encina segue trazendo os traumas paraguaios para o presente, dispondo-os, com politicidade e poesia, a olhares insurretos.    

***

A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

***

SERVIÇO 

20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO 

22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA

Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE 

Patrocínio Master: PETROBRAS

Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE

Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV

Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL

Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CULTURA 

***

Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

No Instagram: @universoproducao   No Youtube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod         No Facebook: brasilcinemundi/cinebh / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

Site oficial do evento:  www.cinebh.com.br 

Link para fotos |https://www.flickr.com/photos/universoproducao/

ASSESSORIA DE IMPRENSA 

Universo Produção –  (31) 3282.2366 –imprensa@universoproducao.com.br

Jozane Faleiro – (31) 992046367 – jozane@luzcomunicacao.com.br

Wandra Araújo – (31) 999645007 – imprensa@luzcomunicacao.com.br

Eliz Ferreira – (11) 991102442 – eliz@atticomunicacao.com.br

Valéria Blanco – (11) 991050441 – atticomunicacao1@gmail.com

Produção de textos: Marcelo Miranda e Luz Comunicação