CONEXÕES ENTRE TERRITÓRIOS LATINO-AMERICANOS, COOPERAÇÃO CRIATIVA E PROTAGONISMO FEMININO MARCAM A 20ª CINEBH

Publicado em 27 set 2026

A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi encerram a edição que reuniu mais de 18 mil pessoas na capital mineira ao longo de seis dias, 102 filmes nacionais e internacionais, provenientes de 18 estados brasileiros e 13 países, em foram exibidos em 69 sessões (48 delas comentadas), distribuídas em oito espaços da cidade: Cine Humberto Mauro, o Grande Teatro e o Teatro de Câmara do Cine Theatro Brasil, Cine Santa Tereza, Cine Belas Artes, Centro Cultural Minas Tênis, Teatro Sesiminas e Cine Petrobras na Praça da Liberdade.  

Ao longo de 20 edições, a CineBH exibiu 1.751 filmes em 1.216 sessões de cinema, beneficiou mais de 50 mil alunos por meio do programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema e certificou mais de 3.800 participantes em seus programas de formação audiovisual. Já o Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução apresentou, em 17 edições, 486 projetos brasileiros de longa-metragem, promoveu 3.074 encontros de negócios e contribuiu para que 158 projetos se transformassem em filmes finalizados e lançados comercialmente.

Como relata Raquel Hallak, diretora-geral da Universo Produção,  essa história tem como catalisador inicial uma inquietação com o circuito de circulação do cinema em Minas Gerais, em um momento em que a indústria cinematográfica regional era muito incipiente. Consolidando, de partida, uma vocação em ocupar e revitalizar espaços da cidade dedicados à exibição – como a recuperação emblemática do Cine Santa Tereza -, foram nos últimos cinco anos que a CineBH cravou sua identidade latino-americana. Inaugurando, este ano, a mostra competitiva Horizonte, dedicada a diretores e diretoras em seus primeiros longas, e firmando a ousadia da mostra Território, que passa a contemplar realizadores em diferentes momentos de suas trajetórias, o festival conseguiu amadurecer dinâmicas curatoriais a adensar conexões entre filmografias diversas.

Organizada em grupos menores, de três pessoas por mostra competitiva, as equipes formadas por Gustavo Maan, Mariana Queen Nwabasili, Leo Amaral e Ester Marçal Fér, sob coordenação de Cleber Eduardo, foram movidas pela ambição não de se estabelecer consensos em relação à programação, mas pela vontade de erigir consentimentos e proposições dialéticas, apostando, segundo Cleber, na “potência do menor”. 

Para o coordenador curatorial, a presença de mais convidados internacionais – possibilitada, por exemplo, pela ampliação dos filmes integrantes das duas mostras competitivas, 12 no total – e uma adesão maior do público local, que prestigiou efusivamente as sessões, são estratégias e sintomas do fortalecimento do perfil de programação do festival. Ações contínuas, entabuladas, pouco a pouco e reflexivamente, ao longo do tempo, conduziram a CineBH a este amadurecimento. 

“Me reconheço muito na Paz Encina”, comentou o curador, sobre um caso partilhado pela homenageada da edição, ao lado da escritora e atriz Conceição Evaristo. No processo de feitura de Cartas a un viejo Master (2024), Encina comentou com a montadora Jordana Berg, parceira de longa data de Eduardo Coutinho, sobre sua frustração com o material que havia conseguido nas filmagens do longa epistolar dedicado ao documentarista brasileiro. Ao indagar se deveria retornar com sua câmera ao Edifício Master, Berg lembrou-se de uma frase do velho mestre, sobre seus próprios processos: “O material é o que temos, e o que temos é o que sou”, cravou. 

Nesse sentido, Cleber diz não acreditar no festival ideal: “podemos fazer o melhor possível com as condições que temos, como são os filmes que exibimos. Isso é um traço da América Latina. A gente faz uma limonada com meio limão. Para fazer algo com poucos recursos, é preciso ser mais inventivo”.

Tais apostas e diagnósticos ecoaram as temáticas tratadas durante o Seminário Internacional Entre Imagem – CineBH + CineMundi 2026, que teve início, no dia 23 de setembro, com o debate inaugural Cinema Latino-americano: o que será?. Partindo da dificuldade de se estabelecer consensos em torno de uma ideia de latinidade, tensionada por identidades culturais e demarcações territoriais diversas, a discussão cartografou um contexto de profundas transformações políticas, que abalam ainda mais o chão das nossas certezas. A mediadora Ester Marça Fér instigou os integrantes da mesa a refletirem sobre como o cinema age e reage diante das contingências, desafiadoras, do contemporâneo. Apostando na potência radical das indefinições, não se buscou conformar, mas expandir, as possibilidades de entendimento de um corpo fílmico necessariamente heterogêneo.

A crítica de cinema e programadora chilena Marisol Águila, das plataformas Culturizarte, Democracine, El Agente Cine e Sara y Rosa, percorreu filmografias distintas para afirmar a força de modos de produção menores, que conseguem contornar desamparos institucionais cada vez mais agravados com o recrudescimento da extrema-direita no continente. Modos de organização laboral criativos, coletivos e alternativos forjam novas estéticas, tensionam formas consolidadas por perspectivas coloniais e colonizadoras, ao mesmo tempo que expandem imaginários comuns. 

Álvaro Arroba, programador do Bafic, da Quinzeaine des Cinéastes e do Seminci, apontou para a possibilidade do exercício de programação como gesto de proposição e legitimação de obras que conseguem desestabilizar lógicas de produção e linguagens cristalizadas nestes circuitos dominantes. Neste sentido, a CineBH está atenta a tal força política: como argumentou Cleber Eduardo, “a maior contribuição do cinema latino-americano é se contrapor a ideia de um cinema internacional equilibrado, eficiente, regular no ritmo, na estrutura, na dramaturgia; está justamente em bagunçar formatos que circulam mais”, cabe aos programadores encontrar ferramentas para reconhecer e acolher tais rebeldias.  

Rebelde é o cinema de Clarisa Navas, que desafia a lógica neoliberal e  hiperprodutivista vigente com seu monumental O Príncipe de Nanawa, que integrou a Mostra Olhares das Argentinas. Para a realizadora, há de se criar condições para seguir fazendo um cinema insubmisso. De certa forma, é no que acredita, também, Paz Encina: “Os filmes que faço não terão muitos espectadores. Eles são mais pretensiosos. Quero que durem no tempo. Que se passem 20 anos, e que ainda se assista a Hamaca Paraguya (2006). Quero que meus filmes estejam no tempo”. 

Na masterclass que sucedeu a exibição de Exercícios de Memória (2024), Encina reclamou o cultivo da atenção e da presença – algo que conjura com suas imagens e sonoridades táteis – como antídoto à perda do desejo, inclusive do desejo pela memória. Com dois novos projetos – um documental e outro ficcional, o segundo após sua obra de estreia – Encina segue trazendo os traumas paraguaios para o presente, dispondo-os, com politicidade e poesia, a olhares insurretos.

Neste sentido, a internacionalização, um dos principais pontos trazidos pelo Seminário Internacional, não é somente um meio de ampliar a presença do cinema latino-americano em certos espaços de mercado e visibilidade, mas uma possibilidade de aguçar a criatividade por meio do intercâmbio intelectual e artístico, que assinala diferentes obras que compõem a programação.

No debate O cinema latino-americano no mundo: que internacionalização queremos?, ocorrido em 24 de setembro, Paulo de Carvalho, produtor e colaborador do Brasil CineMundi, e os produtores Diego Castillo (Colômbia), Ivette Liang (Cuba, Colômbia) e Julia Alves (Brasil), assim como a crítica Monica Delgado (Peru), corroboram a importância de se desbravar rotas alternativas de produção e circulação dos filmes, mais atentas à realidade material e vocações sensíveis de cada obra. 

Como argumentou Ivette Liang, ampliar e diversificar possibilidades de co-produção entre esses territórios latino-americanos, sobretudo, implica expandir uma certa cinematografia para outros países que poderão, talvez mais do que a Europa, saber acolher proposições formais, estéticas e políticas concebidas desde a realidade concreta do Sul Global. “Compartilhamos cultura, idioma, o portunhol, uma história que nos une e nos instiga a tentar chegar a essas audiências”.

Tais urgências e inquietações retornaram no debate Documentário em circulação: mercados, festivais e novas redes. Sob mediação de Ivan Melo, Luiz González Zaffaroni, diretor executivo do DOCSP, o documentarista Marcos Pimentel, a diretora executiva Paola Castillo Villagrán e o diretor Walter Tiepelmann, do FICBA – International Documentary Film Festival, discutiram as especificidades de outras janelas de exibição a partir do recorte do cinema documental – campo que talvez demande lógicas específicas não só de distribuição, mas de análise, contabilização e dimensionamento de seus impactos sobre públicos muito esparsos e diversos. “Vemos uma parte muito pequena de um espectro maior de divulgação e circulação dos filmes”, comenta Villagrán. 

E para além dos festivais? Tiepelmann constatou que muitos filmes não encontram sobrevida, algo que se tem que assumir. Em tempos de crise da disposição para a atenção, como capturar miradas dispersas, que agravam um cenário institucional e econômico já ardiloso? Como recriar proximidades com audiências dormentes? “É preciso um eletrochoque para não encontrarmos alguns cadáveres”. 

Cinemas do futuro 

Nesse sentido, a mesa Além dos fundos: novos ecossistemas de financiamento para o cinema independente jogou luz na urgência de pensar no ecossistema audiovisual em suas diferentes – e complementares – instâncias, não somente no eixo da produção: é preciso refletir sobre as necessidades de investimento em formação, distribuição, exibição e preservação – esta última, inarredável em um país, como o Brasil, que enfrenta desafios históricos na manutenção de sua memória cinematográfica. “Uma arquitetura de financiamento tem que ser pensada de diversas formas e com inventividade”, provocou a professora e pesquisadora Lia Bahia. 

Na discussão sobre Coprodução internacional: entre parceria, financiamento e criação,  complexificou-se os caminhos para ampliar as conexões e parcerias dentro da própria América Latina. Lei González, produtora da Media Jibara, trouxe o exemplo da República Dominicana, cuja indústria audiovisual é quase inteiramente sustentada por meio de incentivos fiscais locais. Contudo, ela revelou que os o país já está trabalhando para abrir mais as fronteiras. “Essa maneira de trabalhar juntos, de criar comunidade e de sair da insularidade é fundamental”.  

De certa forma, González antecipa uma possível resposta à indagação inicial de Renata Pelizon, Secretária de Financiamento Adjunta da ANCINE: por que coproduzir? “Para mim também tem a ver com o aspecto humano, e também com o perfil da produtora, com os sócios da produtora, é preciso ter certo pendor para entrar em contato com outras culturas”.

Segundo Pelizon, o plano de metas da Ancine para o audiovisual, que começa a valer ainda em 2026, prioriza, justamente, a internacionalização por meio de negociações de acordos de coprodução que promovam modelos de negócios mais flexíveis e condições jurídicas favoráveis. Ela revelou, ainda, duas novidades: um novo acordo com a França, que já é um dos maiores parceiros do Brasil, que engloba uma nova cooperação para televisão, recém aprovada no Congresso Nacional. Pelizon mencionou, ainda, um inédito acordo entre Brasil e China, a ser promulgado pelo Poder Executivo, e outros esforços para ampliar a gama de convênios com países como Turquia, Líbano, Geórgia e México, além de estreitar laços mais tradicionais com Portugal, Argentina e Uruguai. 

Em breve, o comitê gestor do Fundo Setorial do Audiovisual deverá lançar novo edital com 50 milhões de reais para coproduções, com ressalvas sobre os desafios, concretos, em relação à previsibilidade de tais mecanismos, um antigo e persistente calcanhar de Aquiles da Ancine. 

Além da internacionalização, a atuação de mulheres que, mesmo em meio a desafios, sobressaem em seus respectivos campos de atuação no audiovisual brasileiro e latino-americano foram o mote e o motor das duas rodas de conversa do Seminário Internacional. Esses debates foram uma oportunidade única para a troca de experiências sobre autonomia feminina, trânsito entre funções e ampliação dos espaços de criação e decisão. A partir destes encontros, intitulados Mulheres no Audiovisual, o Seminário cristaliza o compromisso do programa Cinema Sem Fronteiras  com a equidade e justiça de gênero no setor.  

Com o tema “Trajetórias, escolhas e conquistas de espaços”, a primeira mesa reuniu, no dia 24 de setembro, Sara Silveira, uma das mais importantes produtoras do nosso país; Tania Anaya, a primeira mulher a dirigir um longa-metragem de animação em Minas Gerais, com Nimuendajú (2025); Cíntia Domit Bittar, que, com seu primeiro longa, Virtuosas (2026), na programação da Mostra Vertentes, se afirma como uma das principais promessas do horror social contemporâneo; e a atriz e diretora Bruna Linzmeyer, que viveu sua primeira grande vilã na distopia fundamentalista de Bittar. Navegando entre diferentes funções, as participantes alertaram para a importância de se construir estruturas materiais e legais para garantir a permanência de mulheres no mercado de trabalho.

Já no dia 26, a mesa “Novas perspectivas, novas relações, novos caminhos” articulou as experiências em sets de quatro realizadoras que ousam forjar outras lógicas e dinâmicas de trabalho, mais horizontais, dialógicas e colaborativas. Defendendo exercícios de escuta, Anita Rocha da Silveira, Denise Vieira, Cíntia Lima, Leandra Leal denunciaram estruturas hierárquicas e abusivas, asseverando que o enfrentamento a modos de produção dominantes é um gesto intimamente vinculado às possibilidades de se elaborar estéticas, narrativas e imagens que deslocam percepções acomodadas. 

Para além das rodas de conversa, o protagonismo feminino reverberou em toda a programação da 20ª CineBH. O festival traz à capital mineira as vozes e miradas de cineastas emergentes e insurgentes da América Latina, como as chilenas Rócio Barbenza (Deserto Vértigo) e Karin Cuyul (La vida que vendrá), as mexicanas Yamel Thompson (Jankee) e Tania Hernández Velasco (Nuestro Cuerpo es una Estrella que se Expande, codirigido pelo artista trans Semillites Hernández Velasco), a cubana Vanessa Batista (Calle Cuba) e (e a argentina Sol Iglesias SK (Los Nadadores).

A 20ª CineBH também acolheu as delicadezas urbanas de Ana, en passant (2026), de Fernanda Salgado, o segundo longa de animação dirigido por uma mulher em Minas Gerais, e o primeiro por uma mulher negra; e os desejos da renomada Glória Pires, à frente e pela primeira vez atrás das câmeras com a comédia romântica Sexa (2025). Com essa pluralidade de vivências e proposições, pretende-se afirmar a vitalidade, a mutabilidade e, portanto, o potencial provocativo da participação (e permanência) das mulheres na construção de territórios audiovisuais mais emancipatórios e diversos. 

De maneira a perenizar o legado desta e das demais edições da CineBH, foram lançados, ao final do evento, os livros “Territórios do cinema: 20 anos CineBH”, organizado por Cleber Eduardo, e “O cinema brasileiro no mundo: 17 anos Brasil CineMundi”, organizado por Pedro Butcher e Lia Bahia, publicações que trazem contribuições autores e autoras convidados que, em seus campos de atuação, refletem sob uma perspectiva histórica, conceitual e propositiva as veias e veredas abertas aos cinemas da América Latina, algo a cada ano mais central na CineBH.

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A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

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SERVIÇO 

20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO 

22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA

Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE 

Patrocínio Master: PETROBRAS

Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE

Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV

Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL

Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CULTURA 

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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

No Instagram: @universoproducao   No Youtube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod         No Facebook: brasilcinemundi/cinebh / universoproducao

No LinkedIn: universo-produção

Site oficial do evento:  www.cinebh.com.br 

Link para fotos |https://www.flickr.com/photos/universoproducao/

ASSESSORIA DE IMPRENSA 

Universo Produção –  (31) 3282.2366 –imprensa@universoproducao.com.br

Jozane Faleiro – (31) 992046367 – jozane@luzcomunicacao.com.br

Wandra Araújo – (31) 999645007 – imprensa@luzcomunicacao.com.br

Eliz Ferreira – (11) 991102442 – eliz@atticomunicacao.com.br

Valéria Blanco – (11) 991050441 – atticomunicacao1@gmail.com

Produção de textos: Marcelo Miranda e Luz Comunicação