CINEBH CELEBRA 20 ANOS DE UMA TRAJETÓRIA QUE TRANSFORMOU BELO HORIZONTE EM TERRITÓRIO DE CINEMA
Publicado em 20 set 2026Criada em 2007 com a reabertura provisória do Cine Santa Tereza, a Mostra CineBH construiu uma atuação permanente na exibição, formação, reflexão e internacionalização do audiovisual e chega à 20ª edição reafirmando Belo Horizonte como capital do cinema latino-americano
Quando a primeira CineBH abriu as portas do Cine Santa Tereza, em 2007, não inaugurava apenas um novo festival. Recolocava em funcionamento um cinema fechado havia 27 anos, devolvia ao público um espaço que fazia parte da história cultural e afetiva de Belo Horizonte e iniciava uma trajetória baseada em uma convicção: o cinema precisa estar presente na vida da cidade, ao alcance das pessoas e em diálogo permanente com seu tempo.
Duas décadas depois, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte chega à 20ª edição como uma realização que articula exibição, formação, reflexão, encontro com o público, valorização da produção local e conexão do cinema brasileiro com a indústria audiovisual internacional. De 22 a 27 de setembro de 2026, a programação comemorativa ocupa oito espaços da capital mineira, com acesso gratuito a sessões, debates, atividades formativas, encontros profissionais, homenagens e ações especiais.
Ao longo de 20 edições, a CineBH exibiu 1.751 filmes em 1.216 sessões de cinema, beneficiou mais de 50 mil alunos por meio do programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema e certificou mais de 3.800 participantes em seus programas de formação audiovisual. A realização também deu origem ao Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, que, em 17 edições, apresentou 486 projetos brasileiros de longa-metragem, promoveu 3.074 encontros de negócios e contribuiu para que 158 projetos se transformassem em filmes finalizados e lançados comercialmente.
Esses números expressam uma trajetória construída a partir da continuidade. Desde a primeira edição, a CineBH compreendeu que uma mostra de cinema não deveria se limitar à exibição de filmes. Era necessário criar condições para que as obras encontrassem seus públicos, promover o debate sobre os desafios da produção e da circulação, formar novos espectadores e profissionais e aproximar diferentes gerações, territórios e modos de fazer cinema.
Uma mostra que nasceu da relação com a cidade
A CineBH foi criada pela Universo Produção em um contexto no qual a produção cinematográfica brasileira se expandia, mas ainda enfrentava grandes dificuldades para chegar ao público. O fechamento progressivo dos cinemas de rua, a concentração das salas em shopping centers e o preço dos ingressos haviam afastado parte da população da experiência coletiva do cinema.
Belo Horizonte, que chegou a contar com cerca de 120 cinemas de rua e de bairro, viu desaparecer espaços que eram referências de convivência, descoberta e vida comunitária. Criar a CineBH significava responder a essa transformação, aproximando novamente o cinema brasileiro do público e devolvendo a experiência cinematográfica aos espaços da cidade.
A escolha do Cine Santa Tereza para sediar a primeira edição traduziu esse propósito. Fechado desde 1980, o imóvel havia perdido completamente as condições de funcionamento como sala de exibição. Em apenas 15 dias, a Universo Produção coordenou uma ampla operação de recuperação e adaptação do prédio, preparando uma sala com 400 lugares e a estrutura necessária para receber filmes, realizadores e espectadores.
Ao redor do cinema, na Praça Duque de Caxias, foram instalados o Cine-Tenda, com 300 lugares, e o Cine-Praça, com capacidade para mil pessoas. Assim nasceu a primeira Vila do Cinema: uma sala de bairro, uma estrutura temporária e um cinema ao ar livre reunidos em torno de uma programação gratuita.
A reabertura foi provisória, mas produziu um resultado que ultrapassou os dias do evento. Ao devolver o Cine Santa Tereza ao público, a Mostra ajudou a recolocar aquele patrimônio no imaginário da cidade e demonstrou concretamente que o edifício poderia recuperar sua vocação cultural. Anos depois, o espaço foi restaurado pelo poder público e voltou a funcionar permanentemente como equipamento cultural municipal.
“A CineBH começou abrindo as portas de um cinema que estava fechado havia quase três décadas. Aquele gesto mostrava que não queríamos apenas realizar uma programação em Belo Horizonte, mas participar da vida da cidade, reconhecer sua história e criar novas possibilidades de encontro entre os filmes e o público. O Cine Santa Tereza iluminado e novamente cheio permanece como uma imagem fundadora da nossa trajetória”, afirma Raquel Hallak, diretora da Universo Produção e coordenadora-geral da CineBH.
Com o passar dos anos, a Mostra ampliou sua presença territorial. Cine Santa Tereza, Praça Duque de Caxias, Palácio das Artes, Cine Humberto Mauro, Sesc Palladium, Centro Cultural Banco do Brasil, Cine Theatro Brasil, Cine Belas Artes, Minas Tênis Clube, Teatro Sesiminas, Praça da Liberdade e outros espaços culturais passaram a integrar um circuito que aproximou o cinema de diferentes regiões e públicos.
Belo Horizonte não foi apenas a cidade que recebeu a CineBH. Tornou-se parte de sua identidade e de seu modo de existir.
Formação, educação e participação do público
A formação esteve presente desde a primeira edição, quando a CineBH promoveu oficinas gratuitas, sessões Cine-Escola e um seminário dedicado aos desafios do cinema brasileiro. Ao longo dos anos, esse campo de atuação foi ampliado com laboratórios, workshops, masterclasses, debates, painéis, consultorias e atividades voltadas tanto a quem deseja ingressar no audiovisual quanto a profissionais que buscam desenvolver projetos e aperfeiçoar suas trajetórias.
O Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema consolidou o diálogo com estudantes e educadores da rede pública. Mais do que levar crianças e jovens a uma sessão, o programa propõe uma aproximação com a linguagem cinematográfica, acompanhada de mediação, debates e materiais pedagógicos. Para muitos estudantes, a atividade representa o primeiro contato com uma sala de cinema.
A CineBH também criou espaços permanentes para observar Belo Horizonte por meio das imagens. Desde 2016, a mostra A Cidade em Movimento apresenta filmes realizados na capital e na Região Metropolitana, aproximando realizadores, coletivos, comunidades e público. Em cada edição, a curadoria propõe novos olhares sobre os territórios, os modos de vida, as transformações urbanas e as experiências de quem constrói cotidianamente a cidade.
Em 2026, A Cidade em Movimento chega à 11ª edição com o tema “Abecedário da Existência” e apresenta 17 filmes produzidos em Belo Horizonte e na Região Metropolitana.
De Belo Horizonte para o mundo
A expansão internacional da CineBH começou a ganhar forma em 2009, quando a Mostra passou a reunir filmes e profissionais estrangeiros e colocou a coprodução no centro das discussões. No ano seguinte, essa atuação resultou na criação do Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução.
Integrado à CineBH desde 2010, o Brasil CineMundi nasceu para aproximar projetos brasileiros de produtores, distribuidores, agentes de vendas, fundos, festivais, laboratórios, canais, plataformas e outros representantes da indústria audiovisual mundial. Ao longo de 17 edições, consolidou-se como evento de mercado do cinema brasileiro e como ambiente de desenvolvimento, formação, intercâmbio e internacionalização.
Projetos que participaram do encontro em suas etapas iniciais retornaram posteriormente à CineBH como filmes finalizados, alguns deles depois de percorrer importantes festivais nacionais e internacionais. Obras como Éden, Amor, Plástico e Barulho, Riocorrente, Benzinho, Mate-me por Favor, Elon Não Acredita na Morte, Corpo Elétrico e Meu Nome É Bagdá estão entre os filmes cujas trajetórias mantêm relação com o Brasil CineMundi.
Em 2026, o encontro registrou o recorde de 375 inscrições e selecionou 37 projetos brasileiros, provenientes de 11 estados. A programação reúne mais de 200 profissionais da indústria audiovisual e representantes de 15 países em atividades de desenvolvimento, sessões de pitching, consultorias, encontros de negócios, masterclasses e debates.
“A criação do Brasil CineMundi foi uma resposta a uma questão que acompanhava a CineBH desde o início: como fazer com que os filmes avancem, encontrem parceiros, cheguem às telas e permaneçam vivos? Ao longo de 17 edições, construímos uma rede que conecta o cinema brasileiro ao mundo e acompanha os projetos em diferentes etapas, do desenvolvimento à circulação. É um trabalho contínuo, cujos resultados podem ser vistos nos filmes, nas coproduções e nas trajetórias profissionais que começaram ou ganharam novos caminhos em Belo Horizonte”, destaca Raquel Hallak.
Belo Horizonte, capital do cinema latino-americano
A relação da CineBH com a América Latina atravessa diferentes momentos de sua história. Em 2015, a homenagem à cineasta argentina Lucrecia Martel marcou a presença de uma das principais autoras do cinema contemporâneo no encontro com o público de Belo Horizonte. Em 2018, o tema “Pontes Latino-Americanas” aprofundou a reflexão sobre as relações culturais, históricas, políticas e estéticas entre as cinematografias do continente.
A partir de 2022, a América Latina tornou-se o território central da CineBH e passou a orientar conceitualmente sua curadoria, sua programação e seus espaços de reflexão. A Mostra ampliou a presença de filmes e realizadores de diferentes países e criou mostras competitivas dedicadas ao reconhecimento e à circulação da produção latino-americana contemporânea.
Em 2023, foi criada a Mostra Território, primeira competição de longas-metragens latino-americanos da CineBH. Na edição de 2026, a criação da Mostra Horizonte, dedicada a primeiros longas e a estreias na direção de longas-metragens, amplia esse campo de atuação e abre espaço para uma nova geração de realizadores.
Com o tema “Cinema Latino-Americano: o que será?”, a 20ª CineBH propõe uma reflexão sobre as condições de criação, produção e circulação dos filmes no continente e sobre os futuros possíveis para suas cinematografias. A edição reúne 102 filmes, entre 49 longas e 53 curtas-metragens, produções brasileiras de 18 estados e obras de 13 países, distribuídas em 69 sessões de cinema, além da programação on-line.
As competições Horizonte e Território apresentam 12 longas-metragens de sete países: Brasil, México, Argentina, Chile, Cuba, Colômbia e Venezuela. A programação inclui ainda as mostras Vertentes, Praça, CineMundi, Homenagem e Diálogos Históricos, A Cidade em Movimento, Curtas Contemporâneos, Retrospectiva CineBH 20 Anos, Olhares da Argentina, Mostrinha e Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema.
Vinte anos como ponto de partida
A edição comemorativa presta homenagem a duas mulheres com trajetórias fundamentais para a cultura latino-americana contemporânea: a cineasta paraguaia Paz Encina e a escritora e atriz brasileira Conceição Evaristo.
A abertura será realizada no dia 22 de setembro, no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia nacional de Se Eu Fosse Vivo… Vivia, novo longa-metragem do cineasta mineiro André Novais Oliveira, produzido pela Filmes de Plástico. O filme marca a estreia de Conceição Evaristo como atriz.
A celebração dos 20 anos inclui a Retrospectiva CineBH 20 Anos, que recupera filmes exibidos em diferentes momentos da Mostra, e o Cine-Concerto Central do Brasil, realizado em parceria com o Cine Theatro Brasil. Na apresentação, o clássico de Walter Salles será exibido na íntegra, com seus diálogos e efeitos sonoros, enquanto a trilha musical será executada ao vivo.
A programação apresenta também os livros “Territórios do Cinema – CineBH 20 Anos” e “O Cinema Brasileiro no Mundo – Brasil CineMundi 17 Edições”. As publicações reúnem artigos, reflexões, dados, registros históricos e diferentes perspectivas sobre cinema, cidade, formação, mercado, coprodução, internacionalização e circulação.
Mais do que olhar retrospectivamente para as duas décadas, a 20ª edição transforma a história em ponto de partida para novas perguntas.
“Manter uma mostra independente por 20 anos exige reconstruir parcerias, responder às mudanças do cinema, acompanhar as transformações tecnológicas e sociais e preservar a confiança do público e do setor audiovisual. A CineBH permaneceu porque nunca deixou de se transformar. Começamos reabrindo um cinema de bairro, ampliamos nossa presença pela cidade, criamos um ambiente de formação e internacionalização e nos tornamos um espaço de conexão do cinema latino-americano. Celebrar essa trajetória é reconhecer o trabalho coletivo que nos trouxe até aqui e, ao mesmo tempo, continuar imaginando os próximos caminhos”, conclui Raquel Hallak.
Criada em Belo Horizonte, fora dos principais centros da indústria audiovisual brasileira, a CineBH chega aos 20 anos afirmando o valor da continuidade, da atuação cultural independente e da construção de uma visão de longo prazo. Uma história feita por filmes, espaços, profissionais, estudantes, educadores, parceiros e públicos que, a cada edição, transformam a cidade em território de cinema.
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A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).
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SERVIÇO
20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE
17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO
22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA
Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
Seminário Internacional Entre Cinemas: 23 a 26 de setembro de 2026, no Cine Theatro Brasil – Espaço Petrobras de Conexões – 6º andar. Inscrições gratuitas até 15 de setembro em cinebh.com.br. Vagas limitadas.
LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA
ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE
Patrocínio Master: PETROBRAS
Patrocínio: CAIXA, REDE MATER DEI DE SAÚDE
Parceria: FUNEMP – FUNDO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS / PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, POR MEIO DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA
Apoio: FUNDAÇÃO ITAÚ, CINE THEATRO BRASIL, FUNDAÇÃO CLÓVIS SALGADO, TEATRO SESIMINAS, CENTRO CULTURAL MINAS TÊNIS CLUBE, CASA DA MOSTRA, CTAV
Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL
Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO
MINISTÉRIO DA CULTURA
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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366
No Instagram: @universoproducao No Youtube: Universo Produção
No Twitter: @universoprod No Facebook: brasilcinemundi/cinebh / universoproducao
No LinkedIn: universo-produção
Site oficial do evento: www.cinebh.com.br
Link para fotos |https://www.flickr.com/photos/universoproducao/