CINEBH CONSOLIDA SUA IDENTIDADE COMO O FESTIVAL DOS CINEMAS LATINO-AMERICANOS E CELEBRA OS 20 ANOS COM LANÇAMENTO DE LIVROS

Publicado em 26 set 2026

As publicações “Territórios do cinema: 20 anos CineBH”, organizado por Cleber Eduardo,  e “O cinema brasileiro no mundo: 17 anos Brasil CineMundi”, organizado por Pedro Butcher e Lia Bahia, marcam consolidação do maior festival e do evento
de mercado da capital mineira. 

Na tarde do dia 26 de setembro, Raquel Hallak, coordenadora da CineBH, e Cleber Eduardo, coordenador curatorial, refletiram, em coletiva à imprensa, sobre as escolhas, mudanças e resultados da vigésima edição do festival. Relembrando a origem do evento a partir de uma inquietação com o circuito de circulação do cinema em Minas Gerais, em um momento em que a indústria cinematográfica regional era muito incipiente, Raquel dimensionou os desafios enfrentados para chegar a esta edição histórica. Se o festival consolidou, ao longo de duas décadas, sua vocação em ocupar e revitalizar espaços da cidade dedicados à exibição – como a recuperação emblemática do Cine Santa Tereza -, foram nos últimos cinco anos que a CineBH consolidou sua identidade latino-americana. 

Para Cleber Eduardo, a presença de mais convidados internacionais – possibilitada, por exemplo, pela ampliação dos filmes integrantes das duas mostras competitivas, Território e Horizonte – e uma adesão maior do público local, que prestigiou efusivamente as sessões, são estratégias e sintomas do fortalecimento da proposta curatorial. Na verdade, os esforços para edificar um perfil contundente e robusto de programação são ações contínuas, entabuladas, pouco a pouco e reflexivamente, ao longo do tempo. 

“Me reconheço muito na Paz Encina”, comentou o curador, sobre um caso partilhado pela homenageada da edição. No processo de feitura de Cartas a un viejo Master (2024), Encina comentou com a montadora Jordana Berg, parceira de longa data de Eduardo Coutinho, sobre sua frustração com o material que havia conseguido nas filmagens do longa epistolar dedicado ao documentarista brasileiro. Ao indagar se deveria retornar com sua câmera ao Edifício Master, Berg lembrou-se de uma frase do velho mestre, sobre seus próprios processos: “O material é o que temos, e o que temos é o que sou”, cravou. 

Nesse sentido, Cleber diz não acreditar no festival ideal: “podemos fazer o melhor possível com as condições que temos, como são os filmes que exibimos. Isso é um traço da América Latina. A gente faz uma limonada com meio limão. Para fazer algo com poucos recursos, é preciso ser mais inventivo”. 

Cleber também discutiu as dinâmicas dos encontros curatoriais, concentradas em equipes menores, de três pessoas por mostra competitiva, movidas pelo desejo não de se estabelecer consensos em relação à programação, mas pela vontade de erigir consentimentos e proposições dialéticas, apostando na “potência do menor”. Nos processos de visionamento, as equipes identificaram uma recorrência: o aumento de filmes latino-americanos da diáspora, de diretoras e diretores que realizam seus filmes a partir da malha cultural e de fundos majoritários de seus territórios de origem, mas estando situados em outros países. Esse diagnóstico confirma as relevância das temáticas abordadas pelo Seminário Internacional Entre Imagens, que abordaram as nuances, inclusive criativas, da internacionalização do cinema latino-americano.

Após a coletiva, aconteceu o lançamento dos livros “Territórios do cinema: 20 anos CineBH”, organizado por Cleber Eduardo, e “O cinema brasileiro no mundo: 17 anos Brasil CineMundi”, organizado por Pedro Butcher e Lia Bahia, publicações que trazem contribuições autores e autoras convidados que, em seus respectivos campos de atuação, refletem sobre as contribuições do festival e do evento de mercado do cinema brasileiro em perspectiva histórica, conceitual e propositiva. 

Outro destaque do dia foi a conclusão do ciclo de debates sobre Mulheres no Audiovisual, ocorridos nos dias 24 e 26 de setembro. Reunindo profissionais de trajetórias diversas, os debates, mediados pela crítica de cinema Juliana Gusman, não buscaram identificar ou caracterizar modos de produção e atuação inerentemente femininos, mas complexificar o horizonte das alternativas – criativas, rebeldes e necessariamente heterogêneas – que diferentes profissionais elaboram em suas lidas com interposições e desafios mais ou menos comuns. 

Com o tema “Trajetórias, escolhas e conquistas de espaços”, a primeira mesa reuniu Sara Silveira, uma das mais importantes produtoras do nosso país; Tania Anaya, a primeira mulher a dirigir um longa-metragem de animação em Minas Gerais, com Nimuendajú (2025); Cíntia Domit Bittar, que, com seu primeiro longa, Virtuosas (2026), na programação da Mostra Vertentes, se afirma como uma das principais promessas do horror social contemporâneo; e a atriz e diretora Bruna Linzmeyer, que viveu sua primeira grande vilã na distopia fundamentalista de Bittar. Navegando entre diferentes funções, as participantes alertaram para a importância de se construir estruturas materiais e legais para garantir a permanência de mulheres no mercado de trabalho.

Já neste sábado, a mesa “Novas perspectivas, novas relações, novos caminhos” articulou as experiências em sets de quatro realizadoras que ousam forjar outras lógicas e dinâmicas de trabalho, mais horizontais, dialógicas e colaborativas. Defendendo exercícios de escuta, Anita Rocha da Silveira, Denise Vieira, Cíntia Lima, Leandra Leal denunciaram estruturas hierárquicas e abusivas, asseverando que o enfrentamento a modos de produção dominantes é um gesto intimamente vinculado às possibilidades de se elaborar estéticas, narrativas e imagens que deslocam percepções e olhares acomodados. 

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A 20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026 – programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção e que reúne também a Mostra de Cinema de Tiradentes (centrada na produção contemporânea, em janeiro) e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto (que difunde o audiovisual como patrimônio e ferramenta de educação, em junho).

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SERVIÇO 

20a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

17º BRASIL CINEMUNDI – ENCONTRO INTERNACIONAL DE COPRODUÇÃO 

22 a 27 de setembro de 2026 | PROGRAMAÇÃO GRATUITA

Fundação Clóvis Salgado (Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno), Cine Theatro Brasil (Grande-Teatro, Teatro de Câmara, Galerias 5º e 6º andar, Terraço), Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE PROJETO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE 

Patrocínio Master: PETROBRAS

Patrocínio: REDE MATER DEI DE SAÚDE

Parceria: MINISTÉRIO PÚBLICO DE MINAS GERAIS, PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ATRAVÉS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA

Apoio: CASA DA MOSTRA, CTAV

Corealização: INSTITUTO UNIVERSO CULTURAL

Idealização e Realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

MINISTÉRIO DA CULTURA 

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Site oficial do evento:  www.cinebh.com.br 

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Produção de textos: Juliana Gusman, Marcelo Miranda e Luz Comunicação